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Emoção é diferente de sentimento: saber disso ajuda a gerenciá-los melhor

Simone Cunha

 

Embora estejam diretamente relacionados, emoção e sentimento não são a mesma coisa. E saber diferenciá-los pode ser um passo importante para o processo de autoconhecimento. Afinal, não é possível ter controle sobre as emoções, mas dá para manter uma regulação que não deve ser utilizada para suprimi-las, e sim ajudando e experienciar e compreender suas causas e consequências.

“As emoções são respostas bioquímicas a um estado emocional. E os sentimentos são o significado que damos a essas emoções”, define a psicóloga Graça Maria Ramos de Oliveira, supervisora do Serviço de Psicologia e Neuropsicologia do IPq do HC-FMUSP (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Emoção, algo que foge ao controle

Alegria, tristeza, raiva, medo, surpresa, afeto, aversão, confiança são algumas das emoções mais comuns que estão presentes em qualquer pessoa. Portanto, senti-las é um processo natural. “A emoção é algo biológico programado que responde a determinados estímulos”, diz o psicólogo Tárcio Soares, docente da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

São forças motivadoras que preparam para a ação e acontecem de forma espontânea. Por isso, não é possível ter um controle sobre elas. Assim como é um erro diferenciá-las entre ‘negativas’ ou ‘positivas’. Por exemplo: sentir medo não é ruim, pois essa emoção pode agir de maneira protetora. E ela não será boa se provocar estagnação. E isso vale para qualquer uma delas que, podem trazer uma sensação agradável ou desagradável, mas que são essenciais em muitos momentos de nossa vida.

Ou seja, uma reação emocional pode ser um fator protetor e de preservação ajudando a ter respostas cognitivas aos eventos, já que aparecem frente a um estímulo ambiental. “Quanto maior nosso conhecimento sobre como nossas emoções são expressas, maior nosso controle sobre a resposta”, avalia Oliveira.

Segundo Daniel Mograbi, psicólogo, professor do Departamento de Psicologia da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica) e professor colaborador do Programa em Psiquiatria e Saúde Mental da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a emoção conta com três componentes: estado fisiológico, resposta comportamental e experiência subjetiva. E enquanto expressões físicas e comportamentais podem ser percebidas, a sensação que essa emoção provoca tem caráter privado. “O que a pessoa experencia é muito particular, esse é o sentimento”, fala Mograbi.

Sentimento, pessoal e intransferível

“O sentimento pode ser influenciado por coisas que estão além da emoção, como experiências pessoais, crenças, pensamentos e memórias”, diz Soares. E são tais itens que podem modificar a forma como cada indivíduo pode reagir e/ou sentir a emoção. Aquelas que provocam desconforto, pode fazer com que a pessoa aja de forma impulsiva, na tentativa de afastar ou negar essa sensação.

No entanto, Oliveira alerta que negar as emoções que causam sentimentos desagradáveis não permite à pessoa enfrentar ou pedir ajuda, se necessário. “Esses sentimentos podem levar a pessoa a uma sobrecarga ou a agir de forma a se prejudicar”, acrescenta.

Portanto, o sentimento é a forma como cada um interpreta a emoção, mas essa sensação é muito particular. Se a própria pessoa não expressar o que está sentindo, não há como descobrir o que acontece interiormente. Por isso, ficar ‘ruminando’ pode aumentar os níveis de cortisol no organismo, estando diretamente ligado a baixa eficiência do sistema imunológico que pode levar a uma probabilidade maior de gripes, resfriados ou alergias diversas. Na prática, se você sentiu aquela raiva e não reagiu com violência, mas mantém o ressentimento é importante aprender a lidar com isso para não se prejudicar.

É possível gerenciar

Existem maneiras para diminuir a intensidade à resposta emocional. Sabe o famoso contar até 10? “A pessoa que consegue se dar conta da emoção tende a gerenciar melhor o comportamento”, afirma Soares. A proposta aqui não é sufocar as emoções, mas tentar deixa-la mais tolerável.

Assim como é importante libertar-se da culpa. Sentir raiva não é ‘pecado’, essa é uma emoção necessária. E a maneira como processá-la faz toda a diferença para a nossa saúde mental. “Não é possível direcionar um sentimento, mas reconhecer seu valor de aprendizagem”, informa Mograbi. Portanto, a sensação que um estado emocional provoca exige maior interpretação sobre o que está acontecendo.

“É possível dar outra interpretação para a emoção para deixá-la mais moderada, e não explodir”, exemplifica Soares. Esse processo de regulação pode envolver muitas técnicas, sendo que algumas exigem a ajuda de um profissional, afinal cada ser é único e não dá para apresentar uma receita única. E com certeza pode trazer uma resposta mais equilibrada para lidar com as emoções e suas respectivas sensações.

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