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Após governo recontratar cubanos contra o coronavírus, Bolsonaro agora diz que eles “são objeto de venda por parte da ditadura”

(Foto: Agência Brasil)

Após voltar atrás e autorizar a contratação de médicos cubanos para atuarem no combate ao coronavírus no Brasil, Jair Bolsonaro afirmou que esses profissionais “são, nada mais nada menos, um objeto de venda por parte do governo cubano. Governo, não, ditadura cubana”

 Após voltar atrás e autorizar a contratação de médicos cubanos para atuarem no combate ao coronavírus no Brasil, Jair Bolsonaro criticou a formação na área de saúde na ilha caribenha, que tem uma das medicinas mais avançadas do mundo. “Esses cubanos são, nada mais nada menos, um objeto de venda por parte do governo cubano. Governo, não, ditadura cubana”, afirmou.Segundo o ocupante do Planalto, a imprensa está noticiando errado “que a gente vai convocar cubano”. “Não é isso”, disse Bolsonaro, dizendo, sem tanta clareza, que somente os profissionais que ficaram no país após o rompimento com o contrato (do Mais Médicos) com Cuba poderão, se necessário, atuar no combate ao coronavírus.

Na segunda-feira (16), o secretário-executivo do ministério da Saúde, João Gabbardo, afirmou que o governo vai recontratar médicos cubanos para atuarem na cobertura do coronavírus. “Vamos chamar todos os médicos cubanos que estavam trabalhando no programa (Mais Médicos). Vamos chamar estudantes de medicina”, disse ele à GloboNews.

George Marques

@GeorgMarques

Secretário do Ministério da Saúde afirma que médicos cubanos serão recontratados, como forma de reforçar a cobertura para o combate ao coronavírus. Vão chamar de volta os médicos que já trabalhavam aqui e foram desligados sem embasamento técnico nenhum!

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“Durante a minha campanha, eu falei que o cubano que decidisse ficar no Brasil eu daria visto”, disse Bolsonaro. “O que eu conversei com o Mandetta e tá tudo certo é que por dois anos eles vão poder exercer o que faziam aqui no governo anterior. Mais nada além disso. Revalida pra eles, se eles quiserem, né? Voluntário. Vai ter que se submeter à prova, se for aprovado, tudo bem”, continuou.

“Não vamos convocar médicos de outros países. No momento, o que temos aqui parece que é o suficiente. Agora se o Mandetta achar que podemos abrir espaço para outros médicos, esses médicos tá qualificado (SIC)”, acrescentou.

Em novembro de 2018, o ministério da Saúde cubano anunciou que deixaria o Mais Médicos em protesto contra Bolsonaro.

“O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, com referências diretas, depreciativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, declarou e reiterou que modificará os termos e condições do Programa Mais Médicos, com desrespeito à Organização Pan-Americana da Saúde e ao acordo desta com Cuba, ao questionar a preparação de nossos médicos e condicionar sua permanência no programa à revalidação do título e como única forma de se contratar individualmente”, dizia o texto do Ministério da Saúde cubano.

Depois de eleito, Bolsonaro afirmou que sempre foi contra o programa Mais Médicos. “Primeiro por uma questão humanitária, 70% [do dinheiro] ficam com o governo deles, e não temos a menor comprovação de que eles realmente sabem o que estão fazendo. É trabalho escravo e eu não vou convidar pra ficar”, continuou. “É trabalho escravo e eu não vou convidar para ficar”, afirmou Bolsonaro depois, em coletiva no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

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