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CLDF debate prevenção ao suicídio

Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que todo ano cerca de 800 mil pessoas no mundo tiram a própria vida, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos. Esta dura realidade foi debatida na tarde desta quinta-feira (26), na Câmara Legislativa do Distrito Federal, em comissão geral sobre a campanha Setembro Amarelo, que conta com ações de conscientização e prevenção ao suicídio.

O debate foi proposto pelo deputado Valdelino Barcelos (Progressistas), membro da Frente Parlamentar de Apoio à Valorização da Vida e Prevenção ao Suicídio e Automutilação no DF. A campanha Setembro Amarelo foi criada em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), em parceria com o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria, com a proposta de associar a cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Barcelos afirmou que é preciso quebrar o tabu e estimular as pessoas a conversarem sobre os seus sentimentos. “Paralelamente, precisamos também aprender a ouvir, independente de idade, cor, profissão, religião, ideologia ou situação social. Como a própria campanha afirma, falar é a melhor solução. Este é um aprendizado de todos nós”, defendeu o parlamentar.

 

O debate contou com a participação de especialistas e de alunos de escolas de Samambaia, Brazlândia e Taguatinga. Foram exibidos dois vídeos sobre o tema, reforçando ações para prevenir a depressão.

O subsecretário de educação básica, Helber Vieira, ressaltou que a escola é um espaço importante para a discussão do tema. Para ele, é na escola que começam a aparecer os primeiros sintomas, mas também é o espaço onde o problema pode ser enfrentado primeiramente. “A escola precisa ensinar a ser e a conviver, fazendo que os alunos aprendam a expor suas emoções. Espaço escolar tem que ser pedagógico para lidar com estas questões. Falar é a melhor solução e temos que estar prontos para ouvir”, assinalou Vieira.

Já a subsecretária de políticas para crianças e adolescentes, Adriana Barbosa Rocha de Faria, lembrou que 90% dos casos de suicídio são evitáveis, muitas vezes com o tratamento das doenças mentais ou com o olhar de quem está próximo. “A gente precisa se enxergar mais e se importar com a vida do outro”, disse, acrescentando que o suicídio já e a quarta causa de morte entre crianças e adolescentes.

A subsecretária informou que a secretaria de Justiça realizou durante todo o mês a campanha vamos dar as mãos, debatendo o suicídio de crianças e adolescentes, em escolas e outros espaços. Durante a campanha, foi inaugurado no Parque da Cidade o Jardim da Vida, que conta com 32 ipês amarelos e um labirinto. Segundo ela, o espaço é um lugar de reflexão.

A médica psiquiatra Elaine Simone Meira Bida, diretora de saúde mental, afirmou que na área de saúde mental o setembro amarelo é todo dia. Ela informou que a secretaria de Saúde tem desenvolvido várias ações para fazer um trabalho de prevenção ao suicídio. “Quanto mais a gente multiplicar pessoas para escutar, melhor o tratamento. Esse ano também aprovamos o plano distrital de prevenção ao suicídio, com diversos eixos”, sentenciou ela.

A voluntária Maria Amélia dos Santos, representante do Centro de Valorização da Vida (CVV), explicou que a atuação da entidade tem caráter humanitário e é oferecido de forma gratuita, sigilosa e sem qualquer tipo de julgamento. O CVV atende pelo telefone 188 ou por chat e e-mail por meio do site www.cvv.org.br. Qualquer pessoa pode ligar e conversar com uma pessoa que foi preparada para o atendimento. “Temos muitos contatos hoje nas redes sociais, mas são superficiais e falta com quem falar de temas mais delicados. Somos pessoas que acolhem outras pessoas. A prevenção começa no diálogo”, analisou.

O tenente coronel Clayson Augusto Marques, representando o Corpo de Bombeiros Militar do DF, falou que a quantidade de ocorrências de pessoas com intenção de cometer suicídio tem crescido de forma assustadora. Segundo ele, são de três a cinco casos por dia, mas felizmente neste ano em todos os casos a tentativa foi evitada. A corporação está levando o tema para todos os cursos de formação e especialização dos bombeiros.

O presidente da Comissão de Estudos em Prevenção e Intervenção ao Suicídio – Rede Internacional de Excelência Jurídica do DF e Escola da Felicidade, professor Elias Lacerda, defendeu a aplicação da Lei 13.819, que determina que as escolas precisam notificar o conselho tutelar aos primeiros sintomas, assim como as unidades de saúde tem que comunicar casos de automutilação. Segundo ele, a implementação da lei depende de regulamentação dos governos locais.

Para o presidente do Sindicato dos Técnicos de Segurança e familiar de vítima, Wilton Cardoso de Araújo, os profissionais desta área passam mais tempo no ambiente de trabalho do que com a própria família e devem estar atentos aos sinais de que alguma coisa está errada com os trabalhadores dos locais que atuam. De acordo com ele, são seis mil técnicos de segurança no trabalho em todo o DF. O sindicalista perdeu um irmão de 46 anos, há seis meses, que cometeu suicídio. “Para cada pessoa que comete suicídio, pelo menos seis pessoas são impactadas diretamente”, lamentou ele.

Luís Cláudio Alves
Fotos: Figueiredo
Núcleo de Jornalismo – Câmara Legislativa

Com adaptações

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