7 de setembro Tecnologia

Críticas à China não impedem bolsonaristas de usar o Tiktok para promover 7/9

Estrelas da militância evitam a rede chinesa, mas tiktokers de direita ameaçam o STF em postagens. Flávio e Jair Renan têm perfis por lá

A estratégia digital do bolsonarismo esbarra em uma barreira ideológica quando o assunto é o TikTok: a rede social tem sede na China e é alvo de denúncias de ser usada pelo país asiático para espionagem – um argumento que tem muita força entre os seguidores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Essas ressalvas podem afastar das estrelas da militância digital de extrema-direita a vontade de ser “tiktoker”, mas influencers menos famosos nas redes “tradicionais”, como Instagram e Twitter, entendem que seria um erro deixar de divulgar propaganda na plataforma que mais cresce mundialmente.

Atentos a isso, dois membros do clã Bolsonaro resolveram passar por cima dos preconceitos e já se tornaram tiktokers. Um é o senador Flávio Bolsonaro, que tem perfil verificado, 12 mil seguidores e usa a timeline para fazer política e promover o pai. O outro é o “04”, Jair Renan, que usa a rede como parte de sua estratégia como influenciador social e prefere dancinhas e fotos na balada, na praia ou na piscina. Essa estratégia tem sido mais popular que a do irmão mais velho, e Jair Renan já ostenta mais de 410 mil seguidores no TikTok. Veja registros do perfil dos dois:

Militância e promoção dos atos de 7 de Setembro

Na ausência de nomes como Terça Livre, o site do influenciador bolsonarista Allan dos Santos, e de políticos da linha de frente bolsonarista, como Carla Zambelli, a militância governista no TikTok sobra principalmente para perfis pouco conhecidos.

Nenhum tão popular quanto Jair Renan na plataforma, mas um chamado “Team Bolsonaro” já amealhou mais de 310 mil seguidores e, nesta semana, postou montagem de cena do filme Vingadores: Guerra Civil, da Marvel, com o cabeçalho: População indo para as ruas dia 7 de Setembro.

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A preocupação é agravada por numerosos episódios de adesão de servidores das forças de segurança ao planejamento dos atos, e os governadores, sobretudo do DF e de São Paulo, estão montando rigorosos protocolos de segurança para o feriado.

Após semanas incitando sua militância contra o Judiciário, Bolsonaro tem dito nos últimos dias que os atos em Brasília e São Paulo, dos quais ele pretende participar, serão pacíficos e não vão flertar com golpe. O presidente mantém, no entanto, a corda esticada com declarações de sentido dúbio. No sábado (28/8), por exemplo, ele disse que “não deseja nem provoca ruptura, mas tudo tem limite”.