Economia

Guedes usa pobreza para promover a privatização da Petrobras nos EUA

Paulo Guedes em entrevista a jornalistas nos EUA (Foto: Divulgação ME)

Responsável pela política econômica que jogou mais de 2 milhões de famílias brasileiras na pobreza, Guedes defendeu abertamente a privatização da Petrobras e a venda de ações preferenciais da empresa. “Abrir mão do controle”

A desfaçatez do ministro da Economia, Paulo Guedes, não tem fim. Responsável pela política econômica que jogou cerca de 2 milhões de famílias brasileiras na extrema pobreza, o “super” ministro de Jair Bolsonaro (Sem partido) usou justamente a pobreza para promover a venda de ações e a privatização da Petrobras em conversa com jornalistas em Washington, nos EUA, onde participa da reunião anual do FMI e de outros eventos, como um encontro de ministros da economia do G20.

“Toda vez que o combustível subir, você tem ações da Petrobras valendo mais, você vende um pouquinho e deixa as pessoas mais pobres comprarem gás natural. Ai quando os preços do gás e do petróleo subirem, uma parte dessa riqueza que o Brasil tem vai para os mais pobres”, disse Guedes.

Ao justificar a medida, ele defendeu a venda das ações ordinárias que o governo federal detém sobre a estatal. Esse tipo de ação garante o direito à voto em decisões da empresa. No caso da Petrobras, essa medida garante que a União controle a empresa diante dos acionistas minoritários, que compram ações no sistema financeiro.

“Vamos levar a Petrobras para o novo mercado? Hoje o governo controla a Petrobras com ações ordinárias. Se você falar que vai para o novo mercado, os cálculos são que a Petrobras pode ganhar entre [R$] 100 [bilhões] e [R$] 150 bilhões de valor adicional”, afirmou.

Novo mercado é o segmento da Bolsa para empresas com boas práticas de governança corporativa, onde se operam apenas a negociação de vendas de ações ordinárias, com direito a voto.

“E pode subir mais ainda se eu falar que eu vou privatizar, abrir mão do controle”, emendou.

Para o ministro essa medida mostra a defesa do “capitalismo popular, de Margaret Thatcher”, primeira-ministra que levou a política neoliberal ao Reino Unido, com a privatização de estatais e desregulamentação do setor financeiro.

Ícone de conservadores e bolsonaristas, a ex-primeira-ministra birtânica ficou de maio de 1979 a novembro de 1990 no cargo e implantou políticas que passaram a ser conhecidas como Thatcherismo.