Para a maioria da população ouvida pelo DataTempo, não há muito otimismo em relação aos últimos meses dos governos estaduais. No Distrito Federal, apenas 16,7% dos eleitores acreditam que Ibaneis Rocha fará nessa reta final um fim de governo bom ou muito bom.

 

Por Chico Sant’Anna

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) é o décimo governador pior avaliado por seus eleitores, segundo pesquisa realizada pelo DataTempo, vinculado aos jornal mineiro, O Tempo. Ibaneis está empatado com o governador de Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD). Ambos possuem a rejeição de 50% dos eleitores ouvidos. Os medalhistas com maiores taxas de desaprovação são Amapá (83,3%), Rio Grande do Norte (80%), Rondônia e Tocantins (76,9%). Considerados apenas os governadores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, Ibaneis Rocha desponta em terceiro pior governador, atrás de Cláudio de Castro (PL) do Rio de Janeiro (71,3%), e de João Doria (PSDB), governador de São Paulo (64,7%).

“Vemos diversas pesquisas com números diferentes, mas há nelas um claro viés de crescimento da reprovação do governador Ibaneis. Até pouco tempo havia clara predominância da avaliação regular, aquela que pode pender para um lado ou outro. Mas a tendência é a rejeição” – avalia o analista político Hélio Doyle.

As tabelas trazem em ordem alfabética pelo nome dos Estados as avaliações dos governadores, de suas administrações e as expectativas populares quanto ao fim de governo. Fonte DataTempo.

Na mesma linha, comenta o cientista político Melillo Dinis: “O quadro que a pesquisa DataTempo apresenta acerca do governo Ibaneis apenas confirma as ruas e as percepções da população. Não há bandeira, nao há qualquer realização para mostrar, não há presença política nem liderança.”

Em apenas doze das 27 Unidades da Federação, seus governantes contam com um nível de aprovação que supera à metade dos eleitores ouvidos. São elas: Acre (83,3%); Bahia (67,7%); Piauí (66,7%); Espírito Santos (64,7%); Pará (64,3%); Alagoas (61,8%); Paraná (60,4%); Minas Gerais (57,6%); Mato Grosso do Sul (54,2%); Goiás (54,1%); Ceará (51,5%); e Maranhão (51,2%);

Além da aprovação e reprovação das pessoas dos governantes, a pesquisa quis também saber qual a avaliação da administração de cada unidade da federação. Mais uma vez, o GDF desponta como a décima pior administração governamental. Três estados da Região Norte lideram a olimpíada da ineficiência governamental, na percepção dos eleitores: Rondônia e Tocantins, 69,2% de avaliação “ruim” e “muito ruim”, seguidos da administração estadual do Amapá, 63,6%.

Na sequência (vide tabela) estão: Sergipe (58,4%), Rio Grande do Norte, (57,1%), São Paulo (48,9%), Mato Grosso (48,5%), Pernambuco (48,4%), Rio de Janeiro (48,1%), Amazonas (44,1%) e Distrito Federal (44%).

Para Doyle, a baixa aceitação da administração Ibaneis é explicável pelo fracasso no combate à pandemia. “As denúncias de corrupção – especialmente na Saúde -, os apagões depois da suspeita privatização da CEB, do dinheiro desviado para o Piauí e da notória preguiça do governador, que beneficia o Flamengo com recursos públicos e decisões absurdas para se beneficiar pessoalmente vendendo material do clube em suas lojas” – elenca ele. Mellilo Dinis ainda lembra que há na administração Ibaneis “equívocos, corrupção e desgoverno”. “Conclusão, a avaliação apenas é o resultado dessa soma de fatores e da condução do GDF como se fosse uma ação entre amigos em que toda a cidade é tratada como inimiga”.

Apenas 16,7% dos eleitores acreditam que Ibaneis Rocha – na foto em agenda oficial com seu ex-líder de governo na CLDF, distrital Cláudio Abrates – fará um fim de governo bom ou muito bom. Já em relação ao vizinho, governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), a confiança sube para 41%.

Um terceiro item foi igualmente avaliado: o otimismo dos eleitores para os quase dezesseis meses que faltam para terminar a gestão de cada um dos governantes. Em apenas um estado, o Paraná, mais da metade dos eleitores (51%) acreditam num final de governo muito bom ou bom. No Espirito Santo, essa taxa é de 50%. Em todas os demais estados o otimismo para o fim do governo não contagia a maioria da população. Em Minas Gerais, é de 49,2%, Piauí, 48%; Bahia, 47,8%; Mato Grosso do Sul, 45,8%; Pará, 44,2%; e Roraima 41,7%. No Distrito Federal, apenas 16,7% dos eleitores acreditam que Ibaneis Rocha fará um fim de governo bom ou muito bom.

A pesquisa DATATEMPO contou com 2.025 entrevistas domiciliares, entre os dias 9 e 15 de setembro, em todas as regiões do país e foi publicada na edição do dia 24/9 do jornal O Tempo. A margem de erro do levantamento é de 2,18 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é 95%. Arredondamentos estatísticos podem fazer com que os resultados superem ou não alcancem 100% por uma casa decimal.

*Com adaptações

**Matéria publicada originalmente em  Chicosantanna