Cidade Política

Laranjal: secretário do Pros-DF revela fraude em prestação de campanha

Em depoimento, Boa Morte conta que materiais não foram impressos na quantidade acordada com candidatos e sugeriu ter havido desvios

O secretário nacional do Partido Republicano da Ordem Social, Edmilson Santana Boa Morte, admitiu irregularidades na prestação de contas da legenda nas eleições para cargos proporcionais no Distrito Federal em 2018. Ele é considerado testemunha-chave arrolada pelos candidatos no processo que originou operação da Polícia Federal deflagrada nessa quinta-feira (15/08/2019) em endereços do Pros-DF e gráficas mantidas pela sigla.

De acordo com Boa Morte, em oitiva conduzida pelo desembargador eleitoral Telson Ferreira, durante o pleito, o partido prometeu doar material de campanha e recursos para custear a contratação de cabos eleitorais e gastos com combustíveis. Entretanto, nem os valores, tampouco os materiais, teriam sido entregues nas quantidades acordadas com os candidatos.

Segundo Boa Morte, todo recurso destinado à campanha do Distrito Federal era transferido diretamente pelo Diretório Nacional, sem passar pelo caixa local. As quantias eram autorizadas pelo presidente regional da legenda, Eurípedes Júnior (foto em destaque), com a ajuda de seus familiares, que estão na direção da sigla“O Júnior tem o domínio do partido, porque todo mundo é da família. A filha é a vice-presidente. Ele inventou a questão dos cartões de crédito, que eram colocados em nome deles [candidatos]. Os candidatos não têm culpa”, afirmou Edmilson Boa Morte, que, no papel, era o coordenador da campanha.

Os cartões mencionados por ele foram, de acordo com o depoimento concedido à Justiça, a forma usada pelo Pros para desviar recursos. Boa Morte revelou que as tarjetas magnéticas eram confeccionadas em nome dos candidatos, mediante contrato com valores não efetivamente repassados para eles. Algumas pessoas ficaram com dívidas que variam de R$ 90 mil a R$ 478 mil.