Cidade JUSTIÇA Sociedade

NJM e parceiros orientam moradores de Ceilândia sobre violência contra a mulher

Dando continuidade à XIV Semana Nacional Justiça pela Paz em Casa, a cidade de Ceilândia recebeu nesta sexta-feira, 23/8, o Maria da Penha Vai até Você, evento que reuniu diversas instituições e órgãos públicos no Centro da localidade, com o intuito de levar até a população informações sobre a Lei Maria da Penha, num esforço concentrado para mobilização e sensibilização para a causa da violência doméstica e familiar contra a mulher. De acordo com a coordenação do Núcleo Judiciário da Mulher – NJM, setor responsável pela organização da atividade, cerca de 1500 pessoas passaram pelo evento.

O servidor do NJM João Wesley Domin_MG_2798 P.jpggues conta como é importante atrair – além das próprias mulheres – também os homens para esse debate sobre a violência de gênero. Segundo ele, a maioria das vítimas não querem que seus companheiros sejam presos, mas que mudem de comportamento. “Falamos muito do ciclo de violência vivenciado pela mulher, mas o homem também está inserido nesse ciclo e é importante se criar mecanismos para que eles entendam que herdaram essa conduta machista e patriarcal, que gera a masculinidade tóxica tão perigosa para ambos os gêneros, mas que ela pode ser desconstruída”, explica o servidor.

Domingues atua como facilitador do Grupo reflexivo para homens, uma atividade do NJM que acontece semanalmente em várias cidades do DF e coordenou uma roda de conversa com homens que passavam pela gramado ao lado do Restaurante Comunitário de Ceilândia, onde a ação foi realizada. Para o público, o servidor deixou claro que para todos os tipos de conflito existe uma solução pacífica. “Não há um lado totalmente certo e outro totalmente errado. O que precisamos é de diálogo para se chegar ao equilíbrio e alcançar a paz”, reiterou.

_MG_2814 P.jpgO aposentado Jorge Santana, 74 anos, participou do bate-papo e acredita que o comportamento agressivo masculino é fruto da criação, tanto em casa como na escola. “As crianças precisam de exemplo e disciplina, mas sem autoritarismo. Eu fui criado sabendo que devia respeitar homens e mulheres”, conta.

A autônoma, Elaine Cristina, 43, passou pelo local e assinou o painel, no qual a comunidade era convidada a deixar por escrito de que forma poderia ajudar a acabar com a violência contra a mulher. Para ela, a resposta é respeito. “Independentemente de ser mãe, irmã, filha, amiga. Em primeiro lugar, a mulher deve ser respeitada. Ações como essa são muito boas e deveriam acontecem sempre, porque muita gente não tem acesso à informação e não sabe como procurar ajuda”, elogiou.

Para Franscisco Cavalcante, de 49 anos, desempregado, que passou pelo local por curiosidade, a violência é recíproca e, segundo ele, o que falta é diálogo. “A base de qualquer relacionamento é isso. Uma conversa pode resolver até uma guerra, como lembrou o palestrante João Domingues”, disse.

A Região Administrativa de Ceilândia possui uma população estimada em 650 mil habitantes e é onde estatisticamente têm-se o maior número de processos que envolvem relatos de agressão e violência contra a mulher, esse foi um dos critérios que levaram a cidade a sediar o evento. Devido à grande demanda local, o TJDFT conta com dois Juizados de Violência Doméstica e Familiar instalados na região.

Participante do evento assina painel de apoio a não violência contra a mulher

A iniciativa contou com a participação do Conselho Nacional de Justiça; da Administração Regional de Ceilândia; da Secretaria da Mulher do DF; da Polícia Civil, com posto específico da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, DEAM; da Polícia Militar; do Corpo de Bombeiros; da OAB/DF; da Câmara Legislativa; da Defensoria Pública do DF; e do Ministério Público do DF e dos Territórios. Os referidos órgãos ofereceram vários serviços à população, como retirada de documentos, aferição de pressão sanguínea, teste de glicemia, além de orientações sobre a Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), violência doméstica e, inclusive, registro de ocorrências no local.

Semana da Paz em Casa

As ações da Semana fazem parte do calendário nacional de combate à violência contra a mulher e tem a participação de todos os Tribunais de Justiça do país, na tentativa de esclarecer a população sobre a importância da pacificação social, começando pelo núcleo familiar.

Idealizada pela então Presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, em março de 2017, por meio da Portaria 15 do Conselho Nacional de Justiça – CNJ, a Semana da Paz em Casa foi transformada oficialmente em Programa Nacional Justiça pela Paz em Casa. No âmbito do TJDFT, é realizada por meio do Núcleo Judiciário da Mulher – NJM, com o objetivo de promover a conscientização contínua sobre o problema da violência de gênero, alcançando comunidade e instituições parceiras.

No TJDFT, a Semana Justiça pela Paz em Casa tem programação ampliada até o próximo dia 30/8, com uma série de atividades. Confira a programação completa aqui e participe!