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Polícia pede quebra de sigilo de Agaciel em investigação que apura prática de “rachadinha”

Solicitação foi feita após policiais encontrarem canhotos de cheques em nome do deputado na gaveta do diretor da CLDF

No dia 4 de julho, investigadores da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) encontraram, em posse do diretor-legislativo da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Arlécio Alexandre Gazal, canhotos de cheques nominais ao deputado distrital Agaciel Maia (PL). Somados, os valores chegam a R$ 300 mil.

Como consequência, o deputado foi incluído nas investigações que, até então, focavam no colega e parlamentar Robério Negreiros (PSD), suspeito de fraudar sua presença nas sessões da Casa.

Contra Agaciel pesaram as evidências de que ele poderia estar praticando a chamada “rachadinha“, quando o parlamentar recebe de volta parte dos vencimentos dos funcionários ligados a ele. A prática é ilegal.

Por isso, os investigadores fizeram um pedido de quebra do sigilo bancário e fiscal do deputado e ex-diretor do Senado à Justiça, que analisa a solicitação. Não há prazo determinado para ser aceita ou negada.

Em uma entrevista ao Metrópoles após os canhotos virem à tona, Gazal tentou explicar as transações com Agaciel Maia. Segundo ele, o único ganho que obtém com os empréstimos ao distrital é o prestígio com o patrão. “De vez em quando, eu preciso dele, mas não é para arrumar cargo”, explicou.

Evolução patrimonial
Desde que entrou oficialmente para a política, em 2010, Agaciel Maia mais que dobrou a sua fortuna. Quando disputou a primeira eleição, o então ex-servidor do Senado declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter amealhado R$ 3,8 milhões de patrimônio. Naquele ano, ele conseguiu uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Duas eleições depois, esse valor se multiplicou para R$8,2 milhões. Mais da metade disso – R$ 4,8 milhões – está aplicada em um fundo de investimento imobiliário.

Mesmo com o patrimônio milionário, o parlamentar brasiliense, que ganhou as manchetes ao participar do escândalo conhecido como “atos secretos” – no qual favoreceu parentes de senadores quando era secretário da mesa do Senado –, precisou recorrer a subordinados da CLDF para pagar seus advogados.

Procurado, o deputado disse que abriria, ele mesmo, o sigilo. “Meu patrimônio foi todo constituído de fonte comprovada e oficial. Não tenho sigilo em nada. Só tenho conta bancária em órgãos de governo (CEF e BRB), só tenho um único telefone há 30 anos. Hoje tenho 61 anos e trabalho desde os 18 anos. Ninguém precisa quebrar meu sigilo eu mesmo autorizo”, disse. “Há 42 anos a Receita Federal aprova minha Declaração de Imposto de Renda, nunca tive qualquer ressalva, por ter sua constituição só de recursos oficiais, com fontes comprovadas”, prosseguiu.

O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), no entanto, reprovou as contas da sua última campanha.

Bem posicionado
O aumento patrimonial e financeiro do deputado distrital ocorreu justamente quando ele entrou para a política, em 2010. Naquele ano, Agaciel Maia foi eleito deputado distrital e declarou uma lista de bens que superavam R$ 3,8 milhões. Já na eleição seguinte, o distrital conseguiu somar quase R$ 5 milhões à sua fortuna, que em 2014 era de R$ 8,2 milhões. O parlamentar não possui empresas em seu nome atualmente. Tem apenas dois carros antigos: um Toyota Bandeirante 1990 e um Ford Rural Willys 1997.

Nesses oito anos de legislatura, Agaciel Maia disputou uma eleição para a Presidência da Câmara, que foi em 2016, quando perdeu para Joe Vale (PDT). Mas, desde então, sempre esteve a frente da Comissão de Orçamento e Finanças (Ceof), por onde passam todos os projetos do governo. Como presidente da comissão permanente, Agaciel tem o poder de colocar em votação os projetos de interesse do governo.

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