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Samambaia continua sem seu parque

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Foto: Lugares esquecidos

O que impede Samambaia voltar a ter o seu parque? Os moradores da cidade já estão cansados das infindáveis promessas dos políticos  de realizarem a tão esperada reforma do “Parque Três Meninas”.

Brasília, a capital dos sonhos, atraiu para cá, ainda durante sua construção, Inezil Penna Marinho, advogado, professor, escritor e técnico em educação, o qual veio juntamente com sua família do Rio de Janeiro para instalar na nova capital o Ministério da educação e Cultura. Aqui chegando, instalou-se em um terreno onde construiu três casinhas de boneca em homenagem as filhas, Zilá, Marine e Marmita, e batizou o local  de “Chácara Três Meninas”.
Logo após a inauguração da cidade, surgiu a necessidade  da produção de hortifrutigranjeiro para o abastecimento da população e o Governo criou um programa com este fim.  Inezil, então, instalou em sua chácara uma granja avícola que abastecia  locais importantes como o Hotel Nacional, que na época  recebia políticos e personalidades brasileiras e estrangeiras.
Foto:Sophia Rezende

A chácara Três Meninas era aberta a convidados ilustres como Darcy Ribeiro e palco de saraus culturais, de onde surgiu a ideia da criação e abertura ao público da biblioteca ali criada, sinalizando de forma muito eloquente a preocupação com a cultura e o destino da área.

Após a morte de Inezil, a viúva Marta Marinho mudou-se para Asa Norte, mas  continuou cuidando da biblioteca que então já servia também de posto de troca de livros e escola  primária. No entanto, com a criação da cidade satélite de Samambaia em 1989, a chácara foi desapropriada pela Lei 576 de 26 de outubro de 1993, e transformada no “Parque Vivencial Três Meninas”.
Quando ainda se preservava o sonho de seu fundador, o parque serviu de abrigo para um instituto de saúde e vários projetos sociais, chegando inclusive a servir de posto de  distribuição de lotes. Então veio o incêndio que destruiu a biblioteca e com ele o abandono definitivo do local.  Se antes acolheu personalidades, cultura, saúde e lazer, hoje é visitado na maioria das vezes por vândalos que apressam sua destruição e criminosos que se ocultam no que restou do parque.
Vários Governos prometeram revitalizar o patrimônio da cidade que mais cresce no Distrito Federal, mas até o momento nada de concreto foi realizado. A população de Samambaia reivindica com justiça pelo seu parque. Deseja o resgate de sua história, a reconstrução do casarão, casas e as casinhas de boneca decoradas com azulejos portugueses, que se demorar um pouco mais, inviabilizará por completo a restauração. Esperar cair para fazer novo, não é contar a história.
Toda RA hoje tem o seu parque, porque Samambaia não? Perguntam os moradores. Será que somos piores que as demais cidades? Ou será que os  governantes acham que esse descaso não está sendo percebido pela população? Trabalhamos, pagamos impostos e contribuímos para o progresso da cidade e do país. Merecemos qualidade de vida, queremos nosso parque.
Quem visita o parque atualmente depara-se com a destruição e abandono, mas que contrasta com o seu potencial turístico-visual. O lugar é inspirador, com seus azulejos solitários, num terreno que descamba para um vale no cerrado brasileiro, cujo por do Sol é encantador. 
Postado por Ataíde

Uma resposta para “Samambaia continua sem seu parque”

  1. Elizabeth disse:

    Vamos contar que a administração de Samambaia junto com o Governo Agnelo tenham o bom senso e a sensibilidade necessária para promover a revitalização de nosso parque.

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