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Vício em sexo: transar em excesso é um problema de sexualidade

FOTO: GETTY IMAGES

Vício em sexo: transar em excesso é um problema de sexualidade Além de distorcer a percepção sobre sexo, o vício pode afetar negativamente a saúde e a convivência social

Após a influencer Nubia Oliiver ter declarado, em entrevista ao programa de rádio Morning Show na última terça-feira (10/12), que sofreu de ninfomania durante a adolescência, o assunto entrou em evidência e trouxe dúvidas sobre o transtorno.

Ninfomania é caracterizada pelo vício e compulsão por sexo. Muita gente não sabe, porém, que o termo é usado para definir apenas a compulsão de mulheres, já que ao vício por sexo vindo de homens chama-se satiríase.

De acordo com a sexóloga presente no bate-papo do Morning Show, Paula Napolitano, a diferença entre gostar muito de sexo e ser viciado é a compulsão. “O vício traz obsessão, perda de controle, sofrimento e prejuízo. A pessoa não está mais controlando, ela apenas precisa daquilo de novo”, relatou à rádio.

E o caso de Nubia, que passou por isso na adolescência, é um transtorno comum. De acordo com a sexóloga Tâmara Dias, uma das maiores causas da compulsão sexual nesta faixa etária é o excesso de pornografia. “Geralmente, o vício em sexo está ligado a algum outro vício. Para os adolescentes, que têm muito acesso a esse tipo de conteúdo, costuma ser o excesso de pornô e masturbação”, explica.

A ninfomania e satiríase trazem diversos impactos negativos às pessoas afetadas, principalmente no aspecto do convívio social, nas relações afetivas e na saúde. “Para os compulsivos, a obsessão sexual se transforma na base de organização da vida diária, o centro de tudo. As necessidades primárias deixam de ter prioridade, já que existe uma busca incessante pelo prazer”, aponta.

Na adolescência, uma das maiores consequências é a distorção da percepção de sexualidade do jovem. “A sexualidade é uma energia que te motiva a encontrar amor e contato, é o ser sensual e ao mesmo tempo sexual. O excesso de pornô e masturbação muda a percepção e o desenvolvimento da sexualidade”, explica a sexóloga.

Como tratar

Após o diagnóstico, que é dado após investigação com psicólogo ou psiquiatra, o tratamento depende do nível do transtorno. “Em casos leves e moderados, utiliza-se psicoterapia, que pode ser individual ou em grupo. A prevenção medicamentosa é feita quando a compulsão está associada a transtornos como depressão e ansiedade”, aponta.

Mesmo com tratamento, a ninfomania e a satiríase não têm cura – assim como qualquer outro vício. Chega-se a um tipo de controle. “Chama-se fase de manutenção. É necessário que todos os gatilhos que levam a pessoa à compulsão sejam eliminados. Seja o pornô, a masturbação, ou o que for”, finaliza.

 

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