JUSTIÇA Política

Bolsonarismo opera nos bastidores para governar Santa Catarina após impeachment de governador

Carlos Moisés e Daniela Reinehr cumprimentando Jair Bolsonaro (Foto: Secom | Isac Nóbrega/PR)
 
 

O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, um bombeiro aposentado desconhecido que se elegeu na onda conservadora de 2018, deve ser cassado pela Assembleia Legislativa, num processo de impeachment questionável. Jair Bolsonaro está tentando, nos bastidores, salva a vice Daniela Reinehr do processo. Ela é uma bolsonarista radical

247 – Está em curso, em Santa Catarina, o processo de impeachment do governador do Estado, Carlos Moisés (PSL). Jair Bolsonaro e seu clã estão operando nos bastidores para salvar a vice-governadora do processo e, com isso, assumir o controle do Estado. Daniela Reinehr (sem partido) é uma bolsonarista radical.

Bolsonaro autorizou Karina Kufa, sua advogada e tesoureira do Aliança Pelo Brasil, a trabalhar na defesa de Reinehr. Já seu filho e deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) atua há semanas em articulações no Estado em favor dela, informam os jornalistas Vandson Lima e Fabio Murakawa do Valor Econômico.

Kufa impetrou um mandado de segurança na sexta para desvincular a vice do caso que ensejou a abertura do processo de impeachment. O caso de Santa Catarina é mais um dos processos abertos desde o afastamento ilegal de Dilma Roussef no qual a luta política escorrega para pequenos e grandes golpes.   Em Santa Catarina, a razão do processo de impeachment é uma equiparação salarial entre Procuradores do Estado e da Assembleia Legislativa (Alesc).

O processo está caminhando aceleradamente. Parlamentares, advogados e articuladores políticos atestam que a inexperiência de Moisés e Daniela levaram o desgaste a um ponto praticamente incontornável.

A ideia é afastar rápido e julgar devagar: o governador e a vice podem deixar os cargos já em 16 de setembro, por até 180 dias, e uma nova comissão, com cinco deputados e cinco desembargadores do Tribunal de Justiça, analisará o processo. O presidente da Assembleia Legislativa catarinense, deputado Júlio Garcia (PSD), assumiria o governo temporariamente.

Mas a conclusão dos trabalhos, deve ocorrer apenas em 2021 para que, confirmada a cassação, seja realizada eleição indireta, com os 40 deputados estaduais como votantes. Garcia, político da velha guarda e hábil articulador, é desde já o franco favorito. Ele foi indiciado em 2019 pelos crimes de fraude em licitação, integrar organização criminosa, corrupção ativa e ocultação de bens na Operação Alcatraz. A reportagem não conseguiu contatar o parlamentar.

A trajetória de Carlos Moisés é das mais estranhas já registradas na política nacional. Ex-bombeiro aposentado, sem jamais ter feito política, decidiu no último dia do prazo legal registrar-se candidato a governador, apenas para que o PSL não ficasse sem nome na disputa. Mesmo sem ter qualquer proximidade com Bolsonaro, tornou-se um fenômeno, na onda conservadora que varreu o país em 2018.

Depois da posse, Moisés rompeu com o bolsonarismo e mostrou enorme inabilidade política.

Daniela Reinehr diz confiar que a aproximação com o clã presidencial possa salvá-la. “Sempre me mantive fiel ao Bolsonaro. Somos todos crias dele, é o mentor que fez a gente. Eduardo tem sido grande parceiro, muito gentil e cuidadoso para que esse impedimento não aconteça no meu caso”, disse ela aos jornalistas do Valor Econômico.

 

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