Política

Bolsonaro de sempre: ameaça à democracia e defesa da ditadura

No Planalto, o presidente elogiou o regime de 64, reconheceu desejo de mudar o Enem e voltou a falar em estímulo a adotar ‘certas medidas’

 

O presidente Jair Bolsonaro aproveitou uma solenidade de anúncio de expansão de escolas cívico-militares no país para ser mais Bolsonaro que nunca: rasgou elogios à ditadura, fez ameaças à democracia, reiterou a vocação de intervencionista – desejo de mudar o Enem – e, de quebra, fez mais uma grosseria de cunho sexual envolvendo a esposa, Michelle Bolsonaro. Para risos e aplausos de delírio da plateia-claquete que compareceu ao Palácio do Planalto na tarde desta quarta-feira.

Não faltaram os ataques à imprensa

Ao falar do Enem, revelou o desejo de mudar a prova e inserir questões sobre a ditadura. Disse que a “militância” imperava na sala de aula.

“Se eu pudesse interferir pode ter certeza que o faria. Seria sempre questões objetivas e não ideológicas. Colocaria ‘quem foi o primeiro general que assumiu em 64 (ano do golpe militar)? Foi Castelo Branco. Em que data? Duvido se a imprensa acertaria: 31 de março, 1 ou 2 de abril, ou 15 de abril. A maioria vai errar, vai falar 31 de março” – discursou Bolsonaro, para sua plateia-claquete de convidados.

Em novo ataque ao Supremo Tribunal Federal (STF), repetiu a crítica de que a Corte errou ao pautar a questão do marco temporal para demarcação de terra indígena no país – só podem reivindicar terras os índios que estavam na terra até 5 de outubro de 1988 – será o fim do país.

“Se nós aqui entrarmos em crise (não disse qual) e de um nós, autoridades, fizer algo errado (não falou o quê) o caos (não o detalhou) pode se instalar no Brasil. Alguns querem que eu tome certas decisões (não revelou quais). Pensando no ‘after day’ (não falou de que), você tem que ter responsabilidade e saber fazer uso da caneta”.

Sem citar o petista, fez ataques a Lula, mas não fez referências a Sergio Moro. Se referiu ao número de candidatos à sua sucessão como um “self-service que está aí”. Disse que foi criticado por um dono de restaurante por dizer que nesse “self-service” há produtos estragados. E aproveitou a metáfora da comilança para fazer uma grosseria que atingiu a primeira-dama.

“Me amarro comer num pé sujo. Quanto mais gordurosa a comida, melhor. E como militar, não ‘como’ (do verbo) militar, só não como o que não tem. Como qualquer negócio (nesse momento, ele olha para Michelle, ri e abaixa a cabeça no púlpito e dá risadas. É acompanhado pela plateia-claquete).

“Já vi que vou dormir na casa do cachorro hoje” – complementou ainda.