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Bolsonaro pagou R$ 4,3 milhões para apresentadores, sertanejos e influencers fazerem propaganda

Foto: Portal Lapa Oeste (Reprodução)

Falar bem do governo tem custado muito caro. Pagamentos foram feitos a aliados e emissoras amigas, pela Secom, e constam nas notas fiscais entregues pelo órgão à CPI do Genocídio

O governo de Jair Bolsonaro gastou mais de R$ 4,3 milhões fazendo merchandising com apresentadores de TV, radialistas, cantores sertanejos, influencers e emissoras alinhadas, segundo as notas fiscais apresentadas pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) à CPI do Genocídio, no Senado Federal. As informações foram divulgadas numa reportagem do site The Intercept.

 

Na lista de agraciados com dinheiro público para falar bem da gestão federal, no período de 2019 a 2020, estão as cantoras Simone e Simaria (R$ 1 milhão), os apresentadores da Record TV César Filho (R$ 569 mil) e Ana Hickmann (R$ 357 mil), o jornalista da Band José Luiz Datena (R$ 174 mil) e o apresentador da RedeTV! Sikêra Júnior (R$ 120 mil).

Há ainda outros nomes na lista, com valores menores, como Ticiane Pinheiro, Tino Júnior, Marcos Mion, Milton Neves e Catia Fonseca. Não há registro de pagamentos para a TV Globo ou algum de seus apresentadores ou jornalistas. A emissora carioca é a líder de audiência no país, mas vem sendo atacada ferozmente por Bolsonaro e por seus fanáticos seguidores.

A Secom justifica o gasto alegando que a prática de ‘merchan’ é consagrada e que consiste “na contratação deste formato de mídia, no qual se utiliza da imagem/credibilidade do apresentador para divulgar um produto, marca ou serviço”. O órgão ligado à Presidência explica ainda que o ‘merchan’ “implica além do custo de veiculação, conforme práticas comerciais dos veículos de comunicação, pagamento de valores referentes a direitos autorais/correlatos/cachês, normalmente estabelecido pela determinação percentual sobre o valor de veiculação”.

Os pagamentos, segundo as notas fiscais, eram realizados em alguns casos diretamente aos apresentadores e jornalistas, ou ainda via emissoras, que repassavam os valores posteriormente a eles.

Dinheiro dado a negacionistas

A reportagem do The Intercept mostra ainda que uma fração do dinheiro foi destinada a pagar radialistas de todo o Brasil e influencers de redes sociais para difundir o tal “tratamento precoce” (apanhado de medicamentos sem eficácia contra a Covid-19 que é recomendado pelo presidente e por seu governo).

Foram R$ 746 mil direcionados para uma campanha chamada “cuidado precoce”, um eufemismo para a prática de charlatanismo pregada com a utilização de cloroquina, ivermectina e outras drogas sem efeitos reais sobre a doença. Desse montante, R$ 352,6 mil foram destinados a influenciadores digitais e R$ 247,2 mil para radialistas.

Publicada originalmente na Revista Forum