Política

Bolsonaro usou R$ 70,4 mi de recursos extraordinários para Fiocruz produzir cloroquina contra a Covid, diz jornal

Bolsonaro e a cloroquina (Reprodução)

Reportagem da Folha de S.Paulo revela que enquanto Bolsonaro fazia discurso negacionista das vacinas, Ministério da Saúde usou a Fiocruz para produzir cloroquina para o “kit Covid”

Revista Forum

Enquanto Jair Bolsonaro (Sem Partido) pregava que não tomaria vacina contra coronavírus, reforçando um discurso negacionista contra o imunizantes, o Ministério da Saúde, sob a tutela do general Eduardo Pazuello, usou recursos públicos emergenciais e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para produzir cloroquina e fosfato de oseltamivir (Tamiflu) para o “kit Covid”, mescla de medicamentos sem comprovação científica para tratamento da doença que é receitada pelo presidente.

Segundo informações de Vinicius Sassine, na edição desta quinta-feira (11) da Folha de S.Paulo, documentos obtidos pela reportagem revelam que entre 29 de junho e 6 de outubro, a Fiocruz usou ao menos parte dos R$ 457,3 milhões liberados para a fundação por meio da Medida Provisória editada por Bolsonaro que abriu crédito extraordinário para combate à Covid-19 para produzir os dois medicamentos.

Segundo a reportagem, os documentos enviados ao MPF apontam gastos de R$ 70,4 milhões, oriundos da MP, com a produção de cloroquina e Tamiflu pela Fiocruz.

A Fiocruz é uma das responsáveis pela importação e produção das vacinas contra a Covid-19 no Brasil, em consórcio com a farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford.

Em nota, o Ministério da Saúde disse que a aquisição da cloroquina não foi concretizada, que a produção deve ser explicada pela Fiocruz e que o Tamiflu não é para Covid-19, mas para influenza.

A Fiocruz afirma que o “Farmanguinhos [instituto responsável pela produção de remédios] não produziu em 2020 ou está produzindo o referido medicamento para outras indicações”.