Cidadania Política

Brasil se torna ainda mais desigual com a pandemia

(Foto: Agência Brasil)

O Brasil, que já é um dos países mais desiguais do mundo, aprofundou essa característica durante a pandemia de covid-19. Reinserção dos mais pobres na eventual retomada é mais difícil

A pandemia evidenciou ainda mais as desigualdades no Brasil e a retomada da economia e demais das atividades também será desigual. Os economistas falam de um “efeito cicatriz” para alguns segmentos da população.

Segundo especialistas, as restrições impostas pela pandemia aceleraram uma transição em direção à economia digital, o que dificulta ainda mais a recolocação de pessoas com menor escolaridade e empresas com menos acesso às novas tecnologias, destaca a reportagem de Eduardo Cucolo e Beatriz Montesanti.

“Os dados mostram que pessoas com empregos formais sofreram menos que os informais e estão recuperando mais rapidamente seus postos de trabalho. A população mais jovem foi a que mais perdeu renda e horas de estudo. Famílias de regiões mais pobres que dependiam de idosos perderam sua principal fonte de renda”, relatam.

“A mãe de todas as desigualdades é a desigualdade de educação, que vinha caindo há 40 anos. Isso não só foi interrompido, mas revertido pela pandemia. É uma cicatriz, que tem efeitos permanentes. O vento que soprava a favor começa a soprar contra. Isso vai deixar sequelas”, afirma Marcelo Neri, diretor da FGV Social. O tempo de estudo dos brasileiros caiu de 4 horas por dia para 2 horas e 23 minutos. Essa queda foi maior entre os alunos de escolas públicas, entre os alunos mais pobres, mais jovens e periféricos.

O economista Ricardo Paes de Barros, professor do Insper e um dos formuladores do programa Bolsa Família, afirma que o Brasil terá o desafio de reinserir cerca de 25 milhões de pessoas no mercado de trabalho e que isso não poderá ser feito apenas por meio da geração de novos postos.

 

Leia a íntegra

Publicidade