Geral

Brasileiros voltam às ruas para pedir impeachment de Bolsonaro

É o quarto dia de manifestações convocadas por partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais contra o presidente

Dezenas de milhares de brasileiros voltaram às ruas de várias cidades neste sábado (24) para pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, cada vez mais desgastado sobretudo por sua caótica gestão da pandemia, apuraram jornalistas da AFP.

É o quarto dia de manifestações convocadas por partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais contra o presidente, que também está sendo investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por não ter denunciado suspeitas de irregularidades na negociação de vacinas contra a covid-19 da Covaxin.

No Centro do Rio de Janeiro, uma das mais de 400 cidades do Brasil e do exterior com atos programados, o protesto começou cedo. Milhares de pessoas expressaram suas críticas nesse “dia de unir o país em defesa da democracia, da vida dos brasileiros e do fora Bolsonaro”, segundo os organizadores.

Os manifestantes, a maioria deles vestidos de vermelho e usando máscara para evitar a propagação do coronavírus, carregavam cartazes com dizeres como “Fora criminoso corrupto”, “Ninguém aguenta mais” e “Fora Bolsonaro”.

“É muito importante que todos aqueles e todas aquelas que se sentem ofendidos ou oprimidos por esse governo, venham para as ruas, porque nós precisamos lutar pela volta da democracia”, disse à AFP a assistente social Laíse de Oliveira, de 65 anos.

Popularidade em baixa

Até o início da tarde, a imprensa noticiava, com imagens de avenidas cheias de manifestantes, protestos contra Bolsonaro em 20 estados, com críticas ao atraso da campanha de vacinação e ao disparo do desemprego e apelos pelo aumento do auxílio emergencial.

Nem os organizadores nem as autoridades divulgaram uma estimativa da quantidade de participantes dos atos, que ainda estão ocorrendo no país.

Estão previstos para mais tarde protestos em outras capitais, incluindo São Paulo, que costuma ser a maior, e Brasília.

Bolsonaro vive seu pior momento desde que chegou ao poder em 2019. Sua popularidade está no nível mais baixo, 24%, e as pesquisas indicam que nas eleições do próximo ano ele seria derrotado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A oposição apresentou em junho um “superpedido de impeachment”, que condensa uma centena de pedidos já apresentados anteriormente à Câmara dos Deputados com mais de 20 denúncias diferentes contra o presidente. Mas, por enquanto, Bolsonaro tem apoio suficiente no Congresso para bloquear essas iniciativas.