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Cantanhêde: em Davos, Brasil pode passar constrangimento e levar puxão de orelha

(Foto: Reprodução | Alan Santos/PR)

“Ninguém diz, mas Bolsonaro teve dois bons motivos para não ir a Davos”, afirma a jornalista Eliane Cantanhêde. “Um é que certamente baixou uma baita insegurança depois do vexame na estreia no fórum em 2019”, diz. “Bolsonaro vai convivendo com as próprias fragilidades, tentando remendar o que ele mesmo esgarçou”

247 – Em sua coluna publicada no jornal O Estado de S.Paulo, a jornalista Eliane Cantanhêde afirma que, sem Jair Bolsonaro, “mas com seus rivais João Doria e Luciano Huck, o Fórum Econômico Mundial deste ano, em Davos, pode jogar o Brasil na constrangedora situação de país digno de uns bons puxões de orelha por maltratar o meio ambiente, ameaçar a mídia, provocar líderes mundiais, enaltecer ditadores e, agora, ultrapassar todos os limites trazendo Hitler e o nazismo ao ambiente”.

“Ninguém diz, mas Bolsonaro teve dois bons motivos para não ir a Davos. Um é que certamente baixou uma baita insegurança depois do vexame na estreia no fórum em 2019. Se mal conseguiu falar coisa com coisa quando ainda era cercado de expectativas, imaginem agora, depois de tudo?”, escreve ela.

“O segundo motivo é que Bolsonaro achou que Donald Trump não iria. Se Trump não vai, esse encontrinho de grandes líderes internacionais, megainvestidores, homens das finanças e do pensamento não serve pra nada. Mas a aposta foi errada: Trump anunciou que vai, mesmo acossado pelo processo de impeachment – ou até por causa dele”, continua.

Segundo a jornalista, “Bolsonaro vai convivendo com as próprias fragilidades, tentando remendar o que ele mesmo esgarçou”. “Começa a testar a atriz Regina Duarte na Cultura, já esqueceu as denúncias contra o ministro Marcelo Álvaro Antonio, assiste de camarote à tragédia no Ministério da Educação e fecha olhos e ouvidos para as peripécias do seu homem da Comunicação”.

“Autodeterminado exterminador das esquerdas, Bolsonaro é todo aplausos para Ernesto Araújo, Ricardo Salles e Damares Alves – como era com Roberto Goebbels Alvim – e já tem o culpado n.º 1 por todas as mazelas do governo: a mídia. Bolsonaristas tupiniquins estimulam, mas o mundo, e não só o mundo de Davos, está de olho. Huck, Doria e Moro, também”.

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