Cidade

Chegou a vez dos ipês-brancos, que embelezam as ruas da capital federal

crédito: ED ALVES/CB/D.A Press

De tom suave, ipês-brancos embelezam ainda mais as ruas da capital e contrastam com o azul do céu, característico do período de seca em Brasília

Por Thalyta Guerra* 

O amanhecer para o aposentado Edmar Moraes, 74 anos, ganhou mais beleza. Da janela de seu apartamento, na 110 Norte, os ipês-brancos dão um show de encanto. Na praça, difícil alguém passar sem notar as árvores floridas e não querer registrar a beleza do tom neutro contrastando com o azul do céu. Também prefeito da quadra onde mora, ele se diz privilegiado pela vista que ganhou, mesmo que temporariamente. “Eles estão esplêndidos, maravilhosos. Fico feliz em ver as pessoas se abrigarem na sombra deles, fotografando, filmando e comentando a beleza”, diz.

Para Edmar, o espetáculo diário é uma oportunidade para as pessoas aprenderem a respeitar o meio ambiente. “É muito importante ver as famílias com as crianças admirando essa beleza da natureza. É extraordinário logo de manhã contemplar, ao olhar pela sua janela, esse espetáculo da natureza”, celebra.

Os ipês fazem parte da identidade do Distrito Federal. Tanto que o amarelo se tornou símbolo da cidade. Há até debate sobre qual a cor mais bonita. Neste fim de mês, é a vez dos brancos se exibirem. Eles surgem após duas cores vibrantes, o roxo e o amarelo, e antecipam a chegada dos rosas, que encerram a temporada dessas árvores.

Ao todo, o DF tem 235 mil ipês plantados em todas as regiões. Cada tipo tem características próprias. Os brancos, por exemplo, têm florada rápida, que dura de dois a cinco dias. Chefe do Departamento de Parques e Jardins da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), Raimundo Silva destacou que, apesar de durar pouco tempo, o ipê-branco merece atenção. “No Eixo Monumental, tem um mais lindo que o outro. Floresce todo ano, mas, dessa vez, tem dado mais flores”, afirma. “As pessoas associam a florada dos ipês-brancos com a chamada chuva da manga — que ocorre rapidamente em meio a seca —, mas as duas coisas coincidem, não necessariamente têm ligação”, ressaltou. Enquanto as chuvas não vêm com regularidade, resta ao brasiliense aguentar mais um pouco a seca e admirar os ipês-brancos.

Esperança

Quem tem saído de casa e andado pelas ruas do DF, encontra vários pontos recheados dos ipês-brancos, em especial nas asas Sul e Norte e no Eixo Monumental. Próximo ao Parque Bosque do Sudoeste, muitos dão uma pausa nas atividades físicas para registrar a beleza. É o caso da servidora pública Ana Maria Neves, 53. Ela caminha diariamente na região e, sempre que pode, para e fotografa a evolução das flores. “Olha que coisa mais linda. A cidade fica mais bonita, alegre. Estamos nesse período de pandemia, confusão política e esse tipo de coisa ameniza a alma e nos traz uma esperança. Eu amo demais”, declara.

No celular da aposentada Anamaria Cyrino, 68, há fotos de ipês de todas as cores, que tem o costume de registrar a cada ano. “Acho lindo. Amo árvores em geral e o ipê é uma das que mais gosto. Onde vejo, registro. Não tem como não parar para registrar”, conta.

Conhecida entre as amigas como “a caçadora dos ipês-brancos”, a fisioterapeuta Tamara de Paiva, 33, tem a cor da árvore como a favorita. Assim que encontrou a primeira florida este ano, tirou foto em frente e postou nas redes sociais. “Sou apaixonada nessa cor. Para mim, é a mais sensível. E ainda tem a florada na época do meu aniversário — 17 de setembro. Não tem como não me apegar”, diz.

O estudante Mateus Porfirio, 8, aproveitou a caminhada com a mãe, a servidora pública Juliana Ferreira, 46, para pegar algumas flores do ipê-branco. A ideia é levar para casa e coletar o pólen. “Não entendo muito de ipê, mas acho lindo e tiro foto sempre que vejo. Esses aqui (no Sudoeste) estão lindos. Dá uma aliviada na cidade, porque já sofremos com a seca. Eles enfeitam. É lindo de ver”, relata a mãe do menino.

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