Brasil Saúde

Consumo de álcool causa mais de 16 mil mortes por ano no Brasil

Brasília é a quinta cidade com a maior taxa de casos entre os municípios que têm mais de 500 mil habitantes, de acordo com o Datasus

 

O consumo de álcool foi responsável diretamente por pelo menos 16,5 mil mortes, em 2018, último ano com dados disponíveis no Datasus, o sistema de informática do Sistema Único de Saúde (SUS). A conta, no entanto, é conservadora, porque não inclui acidentes de trânsito ou outras causas de óbitos influenciadas pela bebida, uma vez que elas não entram nos registros e nas estatísticas oficias.

O professor do Departamento de Psicologia da Universidade de Brasília Wanderley Codo apontou que a ingestão de álcool é “cada vez mais espalhada”. “A mulher bebe menos, isso se sabe, mas essa diferença vem diminuindo. Você tem cada vez mais uma igualdade no consumo”, apontou.

Segundo Codo, há um componente socioeconômico nessa relação. “As classes menos favorecidas consomem mais e têm maior prejuízo, até porque não dispõem de uma estrutura de cuidado. Os pobres são mais afetados e sofrem mais por causa da falta de condição”, disse.

Outro ponto explicado pelo professor é o da subnotificação, que acontece por algumas razões. “Primeiro, as questões morais. Não é fácil admitir que alguém próximo morreu por um vício, ainda mais com essa concepção de que beber é ‘falta de vergonha na cara’. As pessoas não consideram o alcoolismo como uma outra doença qualquer.”

Além disso, explicou Wanderley Codo, “há o fato de que o álcool não mata apenas diretamente”. “Além da cirrose, existem muitas outras complicações que advêm do uso, mas que não podem ser cravadas em uma causa mortis como se fosse uma questão alcoólica.”

Ao se verificar as mortes em cada cidade, algumas se sobressaem. Entre os 48 municípios com mais de 500 mil habitantes – e que somam 4,1 mil mortes –, a maior taxa está em Maceió. Em 2018, foram 12 óbitos a cada 100 mil habitantes na capital alagoana.

Para chegar à taxa, o (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, cruzou a quantidade de mortes causadas em 2018 com a população estimada para o município pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o mesmo ano.

Em segundo lugar está Ribeirão Preto (SP), com uma taxa de 11,7 a cada 100 mil. Seguem Aracaju (SE), com uma taxa de 11,6 a cada 100 mil; Teresina (PI), com 11,3 a cada 100 mil; e Brasília, com 10,7 a cada 100 mil. Na capital federal, foram 324 mortes ao todo.

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