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Coronavírus: por melhores condições, detentos iniciam rebelião em presídio de Manaus

(Foto: Carolina Diniz)

Segundo familiares de presos, a rebelião é para exigir melhores condições dentro do presídio, em meio à retirada de direitos e a tensão causada pela pandemia do coronavírus

 Detentos da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), em Manaus, se rebelaram na manhã deste sábado, 2, e fizeram reféns sete agentes penitenciários, segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). A UPP está superlotada, com cerca de 1.079 presos. Segundo familiares de presos, a rebelião é para exigir melhores condições dentro do presídio, em meio à retirada de direitos e a tensão causada pela pandemia do coronavírus.

Acompanhando de fora do presídio, parentes dos detentos comunicaram ao G1 que é possível ouvir, em dias comuns, gritos pedindo água e comida. Além disso, desde o dia 13 de março, todos os presídios do Amazonas estão com visitas suspensas. Além disso, a Seap descobriu um túnel que estava sendo cavado para tentar fugir do presídio.

No estado, dois detentos já testaram positivo para o coronavírus. Um dos casos foi confirmado no Centro de Detenção Provisória I e outro em uma cadeia de Parintins, no interior.

“As tensões são muito elevadas. Se a situação piorar, ela pode ficar incontrolável e o Sistema Prisional do Amazonas, apesar das intervenções Federais que acontecem também não apresentarem uma situação muito favorável em respeito à segurança. Acho que um reflexo da pandemia seria um motim”, afirmou o sociólogo e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ítalo Lima.

Estão atuando no local o Grupo de Intervenção Penitenciária (GIP), forças de segurança da Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.

Em maio do ano passado, durante um massacre que matou 55 detentos em diferentes presídios da capital, seis dos mortos estavam presos na Unidade do Puraqueqara.

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