Política

Denúncia contra deputado do Rio indica possibilidade de nova acusação contra Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro (Foto: Beto Barata - Agência Senado)

A acusação de corrupção contra o deputado estadual Márcio Pacheco (PSC-RJ) também pode garantir a continuidade das investigações contra Flávio Bolsonaro. O MP-RJ acusa Pacheco de se apropriar de R$ 1 milhão do salário dos funcionários de seu gabinete entre janeiro de 2016 e março de 2019

247 – A acusação de corrupção contra o deputado estadual Márcio Pacheco (PSC-RJ) também pode garantir sobrevida às investigações contra Flávio Bolsonaro, mesmo após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anular a quebra dos sigilos fiscal e bancário do senador pelo Republicanos-RJ.

O caso de Pacheco, investigadores avaliaram que são suficientes as evidências expostas pelos dados bancários e fiscais dos investigados para oferecer uma denúncia. O MP-RJ denunciou o parlamentar e mais 11 assessores sob acusação de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O órgão o acusa de se apropriar de R$ 1 milhão do salário dos funcionários de seu gabinete entre janeiro de 2016 e março de 2019.

De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo, a dinâmica dos supostos crimes comandados por Flávio e Pacheco são parecidas. Investigadores identificaram nas contas de André Santolia, chefe de gabinete de Pacheco, o pagamento de 22 despesas do deputado, como mensalidades escolares, cotas condominiais e aluguéis, que somavam R$ 120 mil.

No caso de Flávio, o ex-assessor Fabrício Queiroz, preso em junho do ano passado, aparece como responsável apenas pelo depósito de R$ 25 mil na conta de Fernanda Bolsonaro, mulher do senador, e o pagamento, no mesmo dia, de duas mensalidades escolares de R$ 6.942, somadas.

A movimentação de dinheiro vivo atribuída a Flávio e Fernanda chega a R$ 1,7 milhão entre 2007 e 2018.

Mensagens como miliciano

O que também pode dar continuidade às investigações contra o filho de Jair Bolsonaro é a troca de mensagens entre Queiroz e Danielle Mendonça da Costa, ex-mulher do capitão Adriano da Nóbrega, miliciano morto numa operação policial na Bahia quando estava foragido. Ela foi assessora de Flávio entre setembro de 2007 e novembro de 2018.

Essas provas foram obtidas de forma independente de relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Uma investigação sobre Queiroz pode ser reaberta a partir dessas mensagens.

Em caso de anulação do relatório do Coaf pelo STJ, as transações imobiliárias suspeitas de Flávio também poderiam ser usadas para uma eventual abertura de nova investigação.

No ano passado, o procurador da República Sérgio Pinel afirmou ter encontrado “fortes indícios da prática de crime de lavagem de dinheiro” envolvendo Flávio. O MP-RJ disse ter encontrado indícios de que o senador lavou R$ 2,27 milhões com compra de imóveis e em sua loja de chocolates.