Brasil Política

Deputado Julio Cesar turbina gastos mesmo com sessões remotas no Congresso

REPRODUÇÃO / CÂMARA DOS DEPUTADOS

Dos oito parlamentares da bancada do DF na Câmara dos Deputados, cinco declararam gastos com verba indenizatória durante a quarentena

Como resultado da pandemia do novo coronavírus, a Câmara dos Deputados tem realizado sessões remotas desde 25 de março, com todas as votações por meio de videoconferências. Nem por isso o deputado federal Julio Cesar Ribeiro (Republicanos/DF) avaliou a redução dos próprios gastos com recursos públicos. Pelo contrário.

O representante da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) lidera o ranking de uso da verba indenizatória em abril. Até o momento, ele pediu ressarcimento de R$ 24.329,23 dos recursos garantidos pelo Legislativo federal. O montante é maior, inclusive, do que foi usado por ele no mês de março (R$ 20.280,55), quando o funcionamento da Casa foi praticamente normal até os últimos dias.

O gasto maior de Julio Cesar (foto em destaque) foi com contratação de consultoria — R$ 15 mil. Há ainda registros de R$ 5,9 mil com aluguel de carro; R$ 3 mil com divulgação do mandato; e R$ 429,23 referentes a gastos com combustível para locomoção. Para este mês, o congressista apresentou a fatura de mais R$ 10 mil para contratação de especialistas.

Os gastos do representante do DF são apenas um recorte das despesas apresentadas por cinco parlamentares, dos oito que integram a bancada do DF na Câmara dos Deputados. Apenas em abril e no início de maio, os deputados federais eleitos pelo Distrito Federal usaram, pelo menos, R$ 84.801,35‬ da verba indenizatória. Os dados foram adquiridos por meio do portal da transparência da Casa.

Esse valor pode ser ainda maior, visto que os congressistas têm até três meses para pedir o reembolso de gastos, conforme prevê o Regimento Interno da Câmara dos Deputados.

Depois de Julio Cesar, vem a deputada Bia Kicis (PSL-DF), uma das principais aliadas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Apenas no mês de abril, a parlamentar solicitou o reembolso de R$ 22.492,12. Do montante, as maiores despesas foram com manutenção de escritório parlamentar, gasto que representou R$ 6.698,40 naquele mês. Na sequência, a congressista destinou R$ 6 mil para divulgação do mandato; R$ 5 mil para contratação de consultorias; R$ 4 mil para o aluguel de veículo; e R$ 793,72 com gasolina durante o mês da quarentena.

No período em que a Câmara funcionou normalmente, a parlamentar usou R$ 27.992,95, portanto reduziu R$ 5 mil no período analisado.

Representante do Partido dos Trabalhadores (PT), Erika Kokay usou R$ 19.080 durante o mês de abril. O valor foi integralmente destinado ao pagamento de consultorias e pesquisas para o mandato parlamentar. São cerca de R$ 3 mil a menos do total usado no mês anterior, por exemplo.

deputado Israel Batista (PV/DF) declarou ter usado no mês de abril R$ 8,5 mil da verba indenizatória, grande parte destinada à divulgação de suas atividades parlamentares: R$ 8 mil. Os outros R$ 500 serviram para dar suporte à manutenção do escritório do parlamentar. Em março, o congressista usou R$ 13.753,13.

Luis Miranda (DEM/DF) usou R$ 400 para abastecimento do veículo durante aquele mês. Até a noite do dia 6 de maio, não havia outros gastos contabilizados na verba indenizatória do congressista. No mês anterior, quando a pandemia surgiu no DF, o democrata pediu o reembolso de R$ 770.

As deputadas Celina Leão (Progressistas/DF)Flávia Arruda (PL/DF) e Paula Belmonte (Cidadania/DF) não usaram ou ainda não declararam os gastos durante o mês de abril.

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