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Diretora de controle de penalidades do Detran-DF tem multas como dirigir com CNH vencida e recusa de fazer bafômetro

Fernanda Curtim diretora do Detran-DF, tem infrações por recusa em fazer teste de alcoolemia, dirigir com CNH vencida e sem licenciamento — Foto: TV Globo/Reprodução

Por Gabriel Luiz, TV Globo

A diretora do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), Fernanda Curti, acumula uma série de, pelo menos, 33 multas de trânsito em seu nome desde 2016 – inclusive de infrações graves. Ela é chefe do Controle de Veículos e Condutores, e de acordo com o organograma do Detran, está acima da Gerência de Registro e Controle de Penalidades e cuida de áreas como o Núcleo de Análise de Recurso e o núcleo de Análise de Defesa Prévia, setores que cuidam da aplicação das multas para todos os motoristas do DF, e que decidem se a pessoa deve, ou não, perder a carteira de motorista.

 

Entre as infrações acumuladas por Fernanda Curti está uma de recusa de fazer o teste de alcoolemia (bafômetro), em 30 de novembro de 2019. A multa de R$ 2.934,70 venceu em março de 2020, mas segundo um levantamento interno do Detran-DF, que a TV Globo teve acesso, até o mês de junho, o valor não havia sido pago.

A gestora diz que seu histórico como motorista não interfere nas funções no Departamento de Trânsito. Entre as infrações cometidas por ela estão:

  • Transitar acima da velocidade
  • Avanço de sinal
  • Estacionamento irregular
  • Dirigir com habilitação vencida
  • Dirigir sem licenciamento

 

Entre as infrações acumuladas por Fernanda Curti está uma de recusa de fazer o teste de alcoolemia, em 30 de novembro de 2019 — Foto: TV Globo/Reprodução

Entre as infrações acumuladas por Fernanda Curti está uma de recusa de fazer o teste de alcoolemia, em 30 de novembro de 2019 — Foto: TV Globo/Reprodução

Fernanda Curti diz que as infrações por recusa ao teste do bafômetro, pela falta de licenciamento e pela CNH vencida foram registradas em 2019, antes dela assumir o cargo atual. Ela admite que errou.

“Ao assumir esse cargo de grande responsabilidade, me faz replicar minha experiência para com os mais próximos, pois temos que alertar e nos conscientizar para salvar vidas”, diz a diretora do Detran.

Ela justifica que não é a única condutora do carro, e que as outras infrações mais recentes ainda estão no prazo de defesa prévia e de recurso.

Diretora responsável pelo controle de penalidades do Detran acumula coleção de multas

Diretora responsável pelo controle de penalidades do Detran acumula coleção de multas

Quem é a diretora do Detran-DF

 

Fernanda Curti veio de Foz do Iguaçu, no Paraná, e é funcionária comissionada do GDF. Ela se tornou diretora do Detran-DF em março deste ano.

No cargo, ela chefia uma das áreas estratégicas do órgão de trânsito: a parte de atendimento ao motorista está sob o comando da gestora, além da área de habilitação e registro de veículo.

Antes do cargo atual, Carlos Pennateve passagem por outros órgãos do GDF. Em 2019, ela entrou para o governo como assessora especial de comunicação da Casa Civil.

Em fevereiro de 2021, foi nomeada na Coordenação de Fiscalização do DF Legal. Em março, ela se tornou diretora do Detran-DF, com um salário de R$ 12 mil por mês.

Servidores do Detran-DF denunciam lista de vacinação contra Covid-19 com funcionários aposentados e de cargos administrativos  — Foto: TV Globo/Reprodução

Servidores do Detran-DF denunciam lista de vacinação contra Covid-19 com funcionários aposentados e de cargos administrativos — Foto: TV Globo/Reprodução

O professor especialista em trânsito, Carlos Penna, critica a nomeação de comissionados em cargos que deveriam ser exclusivamente técnicos. “Isso não aconteceria se fossem pessoas de carreira, concursadas, que tem de provar capacidade técnica e um passado ético para poder exercer o cargo”, diz ele.

“Sem concurso público, a quantidade de gente sendo nomeada por cima, por indicação política, está subindo a níveis estratosféricos. E isso gera o problema, que várias vezes, a pessoa não tem a capacidade técnica para exercer esse cargo, e também tem problemas éticos, para exercer esse cargo”, diz Carlos Penna.

Outro professor especialista em transporte, Artur Morais, lembra que ninguém está acima da lei e que as regras de trânsito precisam ser respeitadas por todos. “Ninguém está isento de fiscalização. Todo motorista tem obrigação de cumprir as leis de trânsito. E quem trabalha com trânsito tem que ter a obsessão de cumprir as regras”, diz ele.