Cidade Política

E o Ibaneis, hein? Se reelege?

Por – Ataíde Santos

 

No primeiro dia útil de 2021 o Correio Brasiliense publicou uma matéria assinada por Alexandre de Paula e Mariana Machado onde os jornalistas faziam algumas previsões políticas para corrida pelo assento-mor do Buriti. Lá informam os jornalistas, que o atual governador trabalhava com a perspectiva de reeleição, mas que só entraria na disputa para ganhar. Devem ter terminadas as dúvidas de Ibaneis Rocha,, já que anunciou no dia 17 último que sua candidatura à reeleição está definida.

Todo chefe de executivo deseja e luta para reeleição, é fato. Muitos logram êxito, mas devemos considerar que o Distrito Federal é uma cidade atípica. Nos seus 61 anos só reelegeu para governador o saudoso Joaquim Roriz. No ano de 2010 o Buriti teve quatro titulares, José Roberto Arruda, Paulo Otávio, Wilson Lima e Rogério Rosso.

Nos últimos anos Agnelo Queiroz foi eleito com a força do PT, uma vez que deixou o PC do B para eleger-se em 2010. Por conta da presunção de dispor da máquina, seu partido vacilou na comunicação e Agnelo acreditando que as inúmeras obras que espalhou pela cidade lhe daria a reeleição, deixou que lhe aderisse a pecha de “agnulo” e ainda mais o peso do estádio Mane Garricha que lhe puseram sobre os ombros. Elegeu-se Rodrigo Rollemberg.

Rollemberg viveu de inaugurar obras inacabadas do governo anterior. Sua comunicação não deixou que o seu chefe absorvesse o “faz nada” que lhe quiseram imputar.

Mas como dito, o Distrito Federal é muito diferente dos demais estados. Chegada as eleições de 2018, Rollemberg embora apático, confrontou-se com candidatos com Alberto Fraga, Eliana Pedrosa, e  um fraquíssimo candidato do Partido dos Trabalhadores, que afogava-se na onda “anti-PT” e a novidade da eleição, Ibaneis Rocha, ex-presidente da OAB nacional.

A duas semanas da eleição, Alberto Fraga,  candidato ao Palácio do Buriti pelo (DEM) foi condenado a quatro anos, dois meses e 20 dias de prisão em regime semiaberto e com o direito de recorrer em liberdade, por cobrança de propina. Fraga não resistiu e findou com 5,88 dos votos.

Eliana Pedrosa que muitos apostaram seria governadora do Distrito Federal, perto da linha de chegada perdeu fôlego e irreconhecível sequer chegou ao segundo turno e logrou apenas 6,99 por cento dos sufrágios, sendo ultrapassada até por Rogério Rosso.

E então Chegaram ao segundo Turno Rollemberg e Ibaneis. Se o primeiro era titubeante em suas falas, e propagado por sua falta de pulso, o segundo, talhado nas tribunas da justiça, soube usar a oratória em seu favor, chegando a dizer em um discurso que reconstruiria com recursos próprios as casas que a antiga Agefis derrubasse. Foi a chave para abrir-lhe as portas do Buriti. Ibaneis foi escolhido por 41,97 por cento dos eleitores, muitos dos quais bradando nas ruas que Rocha era rico e não precisaria roubar outros acreditando que participariam da riqueza do futuro governador. De sua riqueza viu-se a comprar de uma mansão e de um avião, ambos para uso pessoal.

Já estamos no terceiro ano do mandato de Ibaneis e não se vê nada que lhe possa conferir mais um mandato. Se a pandemia contribuiu para que assim fosse, ele muito ajudou. Na chegada do covid-19, em março de 2020, Ibaneis ganhou as páginas nacionais pela agilidade e eficiência em decretar lockdown, mostrou preocupação com o povo. Foi muito elogiado por todos. Mas alegria de pobre dura pouco e a resistência de Ibaneis parece que também. Poucos dias depois de uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro, a disposição do governador  de proteger o povo perdeu evidência, e o “abre aqui, fica fechado acolá”,  fez com que o respeito pelas normas não tivessem mais tanta importância e então o GDF  viu que era e está sendo, obrigado usar a força para fazer cumprir o que nos primeiros gestos do líder candango toda população obedeceu ficando em casa, usando álcool-gel e máscaras.

Em novembro do ano que passou, em almoço com empresários Ibaneis disse que 2021 seria um ano de muito crescimento, mas  um mês antes o mesmo governador havia dito que: que 2021 “será de muita fome” no DF. Porque só se concretiza a previsão que mata de fome?

 

Mais recentemente Ibaneis ganhou novamente as manchetes quando o Estadão denunciou que Bolsonaro havia dado uma mega pedalada, o que apelidaram de orçamento paralelo – imagine só! – e que do montante, o Governado do DF teria pegado uma parcela e parte desse enviado para o Piauí, terra natal de Ibaneis, o que causou protestos de muitos, inclusive de distritais como  Fábio Félix.

 

Estamos já findando o mês de maio, chegando a metade  do terceiro ano governo Ibaneis Rocha, e a população ainda não está convencida se fez bom negocio ao acreditar no tilintar das moedas do titular do Buriti.

E o eleitorado está disposto a ser “levado no bico” por algum candidato cegonha que almeje o Buriti?

E a esquerda do DF ? Ainda existe uma ou é só pra constar? Na camara Legislativa parece que não.  E nas ruas? A militância está disposta  a lutar pelo Buriti, ou só  irá as largas vias da esplanada dos ministérios  para o Lula? Ou nem por ele?

Aguardemos…