Brasil Política

Eleições pelo mundo ameaçam isolar governo Bolsonaro

Líderes mundiais mais alinhados com Bolsonaro, Macri e Trump vão enfrentar eleições difíceis. Especialista aponta para riscos econômicos

“O comportamento político agressivo do presidente Bolsonaro tem, sim, consequências na nossa diplomacia e elas podem ser negativas, principalmente para a economia. Desde um distanciamento que paralise agendas até atritos mais diretos, como está acontecendo agora com a França”, avalia a especialista Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM-São Paulo e membro do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP).

Além das eleições argentinas, cujo primeiro turno está marcado para 27 de outubro, outros pleitos internacionais importantes para o Brasil estão no horizonte. Na América do Sul, outros dois países vizinhos vão às urnas no mês que vem, ambos atualmente governados por presidentes mais alinhados com a esquerda. Na Bolívia, onde o primeiro turno ocorre em 20 de outubro, pesquisas indicam que o cenário que vem desde 2006 – Evo Morales na presidência – não deve mudar.

Como o Brasil, a Bolívia está sendo fortemente afetada por queimadas, o que tem afetado a popularidade de Morales, mas as últimas pesquisas ainda davam a ele uma vantagem de 35% contra 27% do adversário e ex-presidente Carlos Mesa, de perfil mais conservador. Apesar de Evo Morales ter comparecido à posse de Bolsonaro como presidente, em janeiro, o clima entre os dois é frio. “Não tem amizade nem aproximação”, disse o presidente boliviano, na última semana, em entrevista à Folha de S.Paulo, na qual criticou também a política de facilitação à posse de armas do par brasileiro. As consequências diplomáticas vieram logo, com o governo pedindo a retirada de pauta, na Câmara, da votação da entrada da Bolívia no Mercosul.

Outra eleição que acontece ao sul do continente é a do Uruguai, com o primeiro turno marcado para o mesmo dia da Argentina: 27 de outubro. Em Montevidéu, a coalizão de esquerda Frente Ampla tenta o quarto mandato consecutivo com o candidato Daniel Martínez, ex-prefeito da capital. Ele concorre com o ex-deputado federal Luis Alberto Lacalle Pou, de centro-direita, e as pesquisas apontam para uma disputa apertada.

Macron até 2022

Declarações de Bolsonaro mostram que ele se mantém atento às notícias eleitorais de países com os quais o Brasil tem relações próximas. Como principal antagonista que fez entre os líderes mundiais até agora, porém, o presidente brasileiro terá de conviver com Emmanuel Macron por bastante tempo. Na França, o mandato presidencial é de cinco anos. Portanto, caso o calendário eleitoral seja mantido, o presidente deverá permanecer no poder até 2022, quando também acaba o mandato do brasileiro.

PUBLICIDADE