Brasil Saúde Sociedade

Esperamos que o bom senso prevaleça’, diz médico contra reabertura precoce do comércio no Brasil

Esperamos que o bom senso prevaleça', diz médico contra reabertura precoce do comércio no Brasil© REUTERS / Amanda Perobelli

O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, acenou com a possibilidade de o governo federal reabrir o comércio em diversas regiões do país após a Páscoa. A Sputnik Brasil ouviu um médico e um comerciante sobre os impactos da atual quarentena e as consequências de uma reabertura precoce.

Na terça-feira (7), o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni anunciou durante coletiva de imprensa a possível reabertura do comércio em diversas regiões do Brasil logo depois da Páscoa. Segundo Lorenzoni, essa é a intenção do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, como forma de equilibrar a economia com as medidas sanitárias de contenção da COVID-19.

Apesar da intenção várias vezes manifestada pelo presidente, na quarta-feira (8), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, emitiu decisão liminar proibindo o governo federal de quaisquer interferências nas medidas de isolamento social impostas por estados e municípios.

 

“Essa medida de abertura geral do comércio tem que ser bem pensada, porque evidentemente isso vai favorecer aglomerações de pessoas. E isso é exatamente tudo aquilo que o vírus quer e a gente não quer”, afirma médico em entrevista à Sputnik Brasil.

Provenzano aponta que o país não tem capacidade hospitalar para comportar um grande número de pacientes, o que é uma preocupação dos profissionais de saúde no momento.
“A preocupação que nós da saúde temos no momento é exatamente com a possibilidade de que se houver uma grande procura por atendimento nos hospitais os leitos comecem a faltar”, aponta.
O médico também explica que a categoria que representa também está amargando prejuízos, mas reitera que não existe “nada, rigorosamente nada que seja mais valioso do que a vida humana”.

 

“Espero que o presidente Jair Bolsonaro ouça os técnicos do Ministério da Saúde que até o presente momento, pelo menos, me parecem muito bem antenados com a equipe da Organização Mundial da Saúde [OMS] a ponto de seguir rigorosamente tudo aquilo que a OMS tem determinado para todos os países. Não é para o Brasil, é para todos os países”, aponta.
Provenzano acrescenta ainda que o isolamento social é a única medida não farmacológica que tem surtido efeito no combate à pandemia.

“É importante que as medidas de distensão desse isolamento sejam tomadas de forma gradativa e esperamos que o bom senso prevaleça no fim das contas para sejam muito bem dosadas todas as medidas no sentido da retomada da vida normal”, avalia.
Em meio ao ‘desastre’, comerciantes sofrem para obter crédito
Aldo Carlos de Moura Gonçalves, presidente do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL), acredita que a intenção de abertura do comércio é uma boa notícia, mas que a decisão não é da competência do governo federal.

“É uma boa notícia, claro que nós pretendemos abrir, nós estamos esperando por isso. Mas, infelizmente eu não vejo que possa surtir muito efeito porque a decisão de abrir ou fechar uma loja é uma prerrogativa da autoridade municipal”, afirmou Gonçalves em entrevista à Sputnik Brasil.

O comerciante, que também lidera o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (Sindilojas Rio) reforça que o comércio tem sofrido prejuízos com o período da quarentena.
“Esse período de lojas de rua e lojas de shopping center fechadas é realmente um desastre para o comércio porque nós não podemos faturar, não podemos vender”, explica.

O lojista também relata que o comércio do Rio de Janeiro está particularmente “combalido” devido a esse período. A estimativa de perdas para o mês de março, segundo Gonçalves, foi de 85%.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, se reúne com equipe para divulgar acoes apos confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil.
Ainda segundo o comerciante, há dificuldade para pequenos empresários conseguirem acessar as linhas de crédito do governo pois as verbas “não chegam na ponta”, referindo-se ao crédito liberado pelo governo para atender os empresários.

“Isso não tem dado resultado nenhum porque isso não está chegando na ponta para os empresários. Infelizmente a verba do BNDES tem que passar por agentes financeiros e os agentes financeiros, infelizmente, estão retendo, estão dificultando, criando barreiras, para repassar isso para as empresas”, lamenta o empresário.

PUBLICIDADE