Política

Fux peita Bolsonaro, que sai de encontro miando baixinho

Igo Estrela/Metrópoles

Sob pressão dos seus colegas, presidente do Supremo Tribunal Federal adverte o presidente da República

 

O que deu em Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal, para peitar o presidente Jair Bolsonaro? E o que deu em Bolsonaro para sair do encontro com Fux miando baixinho, pedindo orações para ele e se apresentando como “Jairzinho paz e amor”?

Então Fux, à meia-noite da sexta-feira, telefonou para Bolsonaro, que estava em Porto Alegre depois de ter passado mal durante um jantar em uma vinícola, e o convidou para um encontro, ontem, no austero Salão Branco do prédio do Supremo.

A conversa durou 20 minutos. Segundo contou Fux, ele pediu a Bolsonaro que “respeitasse os limites da Constituição”. O que quer dizer: ele não tem respeitado. E Bolsonaro teria se comprometido a moderar seus ataques aos ministros do Supremo.

O que quer dizer: ele não deixará de atacá-los sempre que quiser, apenas não se valerá de termos duros e muito menos chulos. Bolsonaro recorreu a uma fácula evangélica sobre o perdão para mostrar que entendeu o esforço de Fux em estancar a crise.

À saída, vestiu a fantasia de Bolsonaro bem comportado, respondeu a perguntas de repórteres sem se alterar e puxou um Pai Nosso. Fux disse-lhe que, em breve, o chamará para uma reunião com ele e os presidentes do Senado e da Câmara.

Os dois são aliados de Bolsonaro e tiveram sua ajuda para se eleger, mas Rodrigo Pacheco (DEM-MG), o presidente do Senado, já foi mais aliado dele. É possível que troque o DEM pelo PSD de Gilberto Kassab para candidatar-se à sucessão de Bolsonaro.

É de ver por quanto tempo Bolsonaro irá suportar o freio que Fux quer lhe impor. De vezes passadas, não suportou por muito tempo. É de ver também o que farão Fux e os presidentes do Senado e da Câmara quando Bolsonaro voltar ao seu estado primitivo.