Política

General da reserva diz que Bolsonaro desrespeitou militares e afastamento entre eles e o governo só vai aumentar

General Francisco Mamede de Brito Filho (Foto: Foto: arquivo pessoal)

General da reserva que comandou missão no Haiti manifesta a insatisfação dos militares com o desrespeito de Jair Bolsonaro para com as Forças Armadas

Para o general da reserva Francisco Mamede de Brito Filho, a demissão do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, e a saída dos comandantes militares expressaram o desrespeito de Jair Bolsonaro para com as Forças Armadas.

O general Brito comandou o contingente brasileiro da missão de paz da ONU no Haiti e a Força de Pacificação no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. E participou do governo Bolsonaro em 2019 como chefe de gabinete do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais, o Inep. Ele hoje se diz decepcionado.

O general observa que as mudanças no Ministério da Defesa e nas Forças Armadas ocorreram abruptamente e sem explicações ou agradecimentos, que só vieram em live nesta quinta-feira, 1º.

Ele critica a demissão abrupta do ministro da Defesa: “O ministro Fernando [Azevedo e Silva] dormiu no domingo como ministro e na segunda saiu com uma carta de demissão”, aponta, segundo o Painel da Folha de S.Paulo.

Para o general Brito, se o objetivo de Bolsonaro era ter os militares mais próximos de si com as trocas, receberá em retorno apenas distanciamento.”Conheço bem os militares do Alto Comando, tem pessoas do Alto Comando que pertencem à minha turma de formação, com os quais convivi durante quatro anos na Academia Militar das Agulhas Negras, e os outros todos foram contemporâneos. As quatro turmas de formação que estão hoje no Alto Comando foram contemporâneas minhas. Conheço muito bem o treinamento, e há uma coisa muito bem definida na nossa formação: a de que militares cuidam da sua tropa. Têm que buscar a sua profissionalização. Abandonar a política para quem vive de política, que não são os militares”, afirma.