JUSTIÇA Política

Globo: Após derrotas sucessivas de Bolsonaro diz que seu golpe “passa do delírio à farça farsa”

Foto: PR | Reprodução 

Globo, um dos maiores, se não o maior artífice do golpe contra Dilma Roussef, agora luta contra sua criação.

Espezinhada e humilhada durante todo governo Bolsonaro, Globo vê agora uma chance de voltar à cena. Mas quer faze-lo como a  heroína que livrou o país do “bicho-sem-cabeça” que ela própria criou.

Virá a Globo pedir desculpa por apoiar o golpe em Dilma como o fez por apoio ao de 64? Não, não fará, pelo menos por enquanto, pois existe o “risco” altíssimo que a‘rentrée’  seja feita pela esquerda. Mas isso, ela quer evitar; para tal serão “criados” novos Bolsonaros, qualquer um, menos um petista. Há quem diga.

 

Globo comemora vitória sobre Bolsonaro e diz que seu golpe “passa do delírio à farsa”

Em editorial de página inteira, o jornal O Globo, dos irmãos Marinho, celebra o fim dos delírios golpistas de Jair Bolsonaro após o estouro do caso Queiroz e prevê novas tormentas para o bolsonarismo

“Os delírios golpistas do bolsonarismo que surgiram com ares de tragédia se aproximam da farsa. O fraseado do ex-capitão, modulado nos 28 anos de baixo clero na Câmara, em favor de torturadores do ciclo de chumbo da ditadura militar, as ameaças ao Supremo, as palavras de ordem de pequenos grupos por um novo regime de exceção verde-oliva gritadas em manifestações bolsonaristas, mantendo o ex-capitão no Planalto, prenunciavam um impossível retorno ao início dos anos 1960, sem Guerra Fria e sem comunistas escondidos em todos os lugares, mas prontos para conseguir o que não foi possível no levante fracassado de 35, a Intentona”, diz o texto.
Tudo mudou, no entanto, com a prisão de Fabrício Queiroz, tesoureiro do clã Bolsonaro no caso das rachadinhas – esquema de desvio de recursos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para pagamento de despesas pessoais da família.  “Junto com a descoberta de Queiroz sob proteção do advogado presidencial devem ganhar nitidez ligações no mínimo arriscadas do clã Bolsonaro com o submundo das milícias cariocas. O próprio Queiroz explorava transporte de vans em Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio, QG de uma quadrilha de bandidos fardados — da ativa ou da reserva. É preciso muita intimidade com os homens fortes do pedaço para entrar nesses negócios”, aponta o editorial.

“O bolsonarismo entra agora em nova fase, pelo menos em um primeiro momento menos voluntariosa. Diante do que já se sabe e do que está por vir, é natural que todos se perguntem — incluindo militares que emprestam a honorabilidade da instituição ao governo — qual mesmo o objetivo do golpe de que tanto se fala. Ou pelo menos se falou. Se não há comunistas, e o país demonstra ter instituições que garantem a governabilidade, resta a suposição muito plausível de que tudo é mesmo para proteger família e amigos, num puro estilo caudilhesco. Esta é a farsa.”

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