GDF Saúde

Governo monta força-tarefa para cirurgias eletivas

Imagem meramente ilustrativa

Com horas extras e terceiro turno, meta é acelerar realização desses procedimentos e reduzir a demanda represada, estimada em cerca de 40 mil pessoas

 

AGÊNCIA BRASÍLIA* | EDIÇÃO: ROSUALDO RODRIGUES

O Governo do Distrito Federal (GDF) iniciou uma força-tarefa para acelerar a produção cirúrgica nos hospitais da rede pública. A meta é alcançar os pacientes que aguardam há mais tempo por uma cirurgia eletiva e reduzir a atual demanda reprimida, estimada em cerca de 40 mil pessoas.

“Estamos concentrando as pessoas com covid-19 nos hospitais de campanha, porque a intenção é que nossos hospitais retornem a fazer cirurgias, internações e consultas”

General Pafiadache, secretário de Saúde

Entre as medidas tomadas para possibilitar esse avanço, estão a concessão de 10 mil horas de Trabalho por Tempo Definido (TPD), autorizadas pela Secretaria de Economia, o terceiro turno de cirurgias eletivas e a remobilização de leitos antes destinados para atendimento a pacientes com covid-19 para pacientes não covid.

As informações foram divulgadas em coletiva de imprensa, no Palácio do Buriti, pelo secretário de Saúde, general Pafiadache, pela secretária adjunta de Assistência à Saúde, Raquel Beviláqua, e pelo subsecretário de Vigilância à Saúde, Divino Valero.

Durante a coletiva, o secretário de Saúde anunciou que, a partir de agora, os encontros semanais com os jornalistas passam a ocorrer com os membros da pasta no auditório da Secretaria de Saúde.

“Hoje temos uma série de diretrizes do governador. Estamos concentrando as pessoas com covid-19 nos hospitais de campanha, porque a intenção é que nossos hospitais retornem a fazer cirurgias, internações e consultas, voltando a um estado de normalidade para atender a população geral não covid”, explica o secretário, enfatizando que as mudanças ocorrerão gradativamente.

Em coletiva no Palácio do Buriti, o secretário de Saúde, general Pafiadache, deu detalhes sobre as medidas tomadas para acelerar a realização de cirurgias eletivas: mudanças gradativas | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

A secretária adjunta de Assistência à Saúde, Raquel Beviláqua, destacou as medidas que já estão em curso para aumentar a produção cirúrgica em todos os hospitais da rede pública. “A gente tem mapeado 40 mil pacientes aguardando cirurgias eletivas.”

Na tarde desta segunda-feira (30), a taxa de ocupação dos leitos de UTI girava em torno de 55%, com apenas seis pacientes aguardando um leito com suporte especializado.

A Secretaria de Saúde também lançou o edital para mudança de especialidade. Desta forma, médicos que desejam migrar para a especialidade de anestesiologia poderão manifestar interesse e fazer a conversão conforme os dispostos previstos no edital.

397 profissionais foram nomeados para reforçar a rede pública de saúde no DF

Força-tarefa

A força-tarefa começou, na última semana, pelo Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Na unidade, foram feitos 93 procedimentos cirúrgicos, sendo 47 eletivos. Com isso, houve melhora no fluxo e 20 leitos foram desocupados e liberados para novas internações.

Todas as salas de cirurgia do HRT estão operantes. Outras unidades também já se organizaram ou se organizam para aumentar a produção cirúrgica, como o Hospital Regional de Samambaia (HRSam), que já fez cirurgias por meio de mutirão no último fim de semana.

No Hospital Regional da Asa Norte (Hran), leitos estão sendo remobilizados do perfil covid-19 para não covid. O objetivo é oferecer leitos de retaguarda para internação pós-cirúrgica e para atendimento de emergências. A unidade já retomou a oferta de cirurgias eletivas e o atendimento no pronto-socorro de ginecologia e obstetrícia para pacientes não covid.

“A pandemia não terminou e precisamos nos concentrar, cada vez mais, nas medidas de contenção até que consigamos vacinar boa parte da nossa população com a segunda dose”Divino Valero, subsecretário de Vigilância à Saúde

Com a remobilização de leitos, o Hran começou a encaminhar os pacientes com covid-19 para os hospitais de campanha. A medida resultará na liberação de 52 leitos no pronto-socorro e na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) para atendimento não covid.

À medida que os pacientes forem sendo transferidos, a assistência para o perfil geral será ampliada. A remobilização de leitos de UTI covid para não covid também ocorre em outros hospitais:

– Hospital Regional de Sobradinho (8 leitos remobilizados)
– Hospital Regional do Gama (20 leitos)
– Hospital Regional de Samambaia (2 UTIs remobilizadas, sendo a UTI 1 com 7 leitos e a UTI 2 com 10 leitos)
– Hospital Regional de Ceilândia (10 leitos)
– Hospital de Base (20 leitos)
– Hospital Regional da Asa Norte (20 leitos)
– Hospital da Criança (10 leitos)

Também haverá remobilização de leitos do Hospital Regional de Santa Maria. O atendimento no pronto-socorro permanecerá ocorrendo, dando assistência ao paciente que chega por demanda espontânea. Porém, havendo necessidade de internação, ele poderá ser encaminhado para um hospital de campanha.

Nos próximos dias, haverá, ainda, a convocação de médicos de clínica médica aprovados no último processo seletivo simplificado emergencial

De acordo com Raquel Beviláqua, “essa remobilização só foi possível com a disponibilização dos leitos com suporte ventilatório dos três hospitais de campanha do Gama, Ceilândia e Autódromo, e o avançar da remobilização permitiu o retorno das cirurgias eletivas, retomadas em maio.”

A taxa de transmissão da covid-19 no DF está, atualmente, em 1.08, o que significa que cada 100 infectados pelo novo coronavírus contaminam outros 108. Dos casos de infecção pela covid-19 pela variante Delta, já foram registradas 81 confirmações e oito óbitos. Os números foram apresentados pelo subsecretário de Vigilância à Saúde, Divino Valero.

“É importante mantermos as medidas não farmacológicas ativas, como o uso da máscara, distanciamento, higienização das mãos. A pandemia não terminou e precisamos nos concentrar, cada vez mais, nessas medidas de contenção até que consigamos finalmente vacinar boa parte da nossa população com a segunda dose”, recomenda o subsecretário.

Nomeações

A rede pública de saúde vai ganhar, nos próximos dias, um reforço no quadro de pessoal. Foram nomeados 397 profissionais, sendo 104 médicos das especialidades de cirurgia do aparelho digestivo, cirurgião trauma, endoscopia e ortopedia; 80 farmacêuticos; 53 administradores; 35 fonoaudiólogos; 64 enfermeiros obstetras; 39 enfermeiros de família e comunidade, entre outros.

2.002.324primeiras doses, 762.558 segundas doses e 56.082 doses únicas tinham sido aplicadas pela Saúde até o último domingo

Nos próximos dias, haverá, ainda, a convocação de médicos de clínica médica aprovados no último processo seletivo simplificado emergencial.

Campanha de vacinação

A campanha de vacinação contra a covid-19 avança conforme o Distrito Federal recebe mais doses disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunização (PNI). O subsecretário Divino Valero destacou que a vacinação para os jovens entre 12 e 16 anos depende da chegada de mais doses da vacina Pfizer-BioNTech – único imunizante autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicação nesse público.

“Iniciamos a cobertura vacinal dos [menores] de 17 anos e chegamos, inclusive, a fazer 65% desse total. E aí, houve um enunciado do Ministério da Saúde alertando para a mudança na estratégia para que, agora, a prioridade seja a dose reforço ou terceira dose”, explica Valero, informando, ainda, que, após essa nova recomendação do ministério, o DF não recebeu as doses da Pfizer para vacinação desse grupo específico: de 12 a 17 anos.

“O repasse do MS de [vacinas] Pfizer foi de apenas 5.580 doses, ou seja, nós vamos utilizar essas doses para dar continuidade na vacinação dos 17 anos acima e ficaremos aguardando um posicionamento do Ministério da Saúde quanto ao número de doses para dar continuidade na cobertura vacinal de 12 a 17 anos”, afirma Divino.

Nesta segunda (30), seriam recebidas 27.250 doses para segunda dose de AstraZeneca e 10.530 para segunda dose de Pfizer-BioNTech.

Material doado vai ser utilizado na produção de EPIs para a Saúde

Durante a coletiva, Divino informou que a aplicação da dose de reforço na população com 70 anos ou mais, que recebeu duas doses há seis meses, será a partir do dia 15 de setembro, conforme anunciado pelo Ministério da Saúde. Para esse período, existe a previsão do envio de um número maior de doses para todo o território nacional contemplando também esse público anunciado.

Até o último domingo, a Secretaria de Saúde já havia aplicado 2.002.324 primeiras doses, 762.558 segundas doses e 56.082 doses únicas.

Busca ativa

Para alcançar a população que vive na zona rural do DF, além das vacinas disponibilizadas nas unidades básicas de saúde rurais, a Secretaria de Saúde vai montar equipes para ir em busca de pessoas que ainda não se vacinaram e que residem nesses locais.

“Temos na área rural uma população muito grande, e a gente acredita que parte dessa população ainda não teve acesso a vacina. Nossa intenção é montar equipes e ir até essas pessoas e levar a vacina”, informa Divino Valero.

Antecipação da segunda dose

A partir desta terça-feira (31), quem tem a segunda dose das vacinas AstraZeneca e Pfizer-BioNTech marcadas no cartão de vacina para serem aplicadas até o dia 7 de setembro poderá antecipar o recebimento em qualquer unidade que ofereça esses imunizantes. É necessário levar o cartão de vacina no momento da vacinação.

* O TPD é um recurso utilizado pela Secretaria de Saúde para suprir eventuais déficits de servidores e garantir a assistência ao cidadão. É como se fosse uma hora adicional trabalhada por determinado período.