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Instalações no Autódromo de Brasília são aprovadas por moradores

| Foto: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília

Espaço que abrigará pessoas em situação de rua durante a pandemia de covid-19 foi inaugurado nesta Sexta-feira da Paixão. No almoço, teve feijoada

 

Nesta sexta-feira (10), a “cidade” erguida no Autódromo Internacional Nelson Piquet foi inaugurada. O espaço será destinado a pessoas em situação de rua enquanto durar a pandemia de coronavírus, para evitar que eles sejam infectados pela doença.

Segundo a organização do local, os “moradores” se impressionaram com a estrutura do acampamento montado pelo Governo do Distrito Federal. É o caso de Marcelo de Jesus Ribeiro, 42 anos. Ele chegou junto com outras pessoas em situação de rua e prometeu: “Pretendo ficar aqui até quando terminar esse negócio [pandemia de Covid-19]”.

Marcelo vivia no Setor Comercial Sul e admitiu que estava com medo da doença. Estava muito preocupado. Aqui a gente se sente mais seguro. Longe das drogas. O governo está ajudando muito”, reconhece. “O quarto é muito bacana”, emendou.

Enquanto não conseguir retornar ao Espírito Santo, Aroldo Moreira, 65, disse que vai permanecer ali, pois se sente mais seguro. Eles estava dormindo na Rodoviária do Plano Piloto porque não tinha dinheiro para voltar para casa. Ele conta que, há uma semana, veio a Brasília tentar destravar o processo de aposentadoria junto ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Ao tentar retornar para casa, não conseguiu em virtude da pandemia de Covid-19. Ele afirmou que, mesmo tendo direito à gratuidade, os motoristas de ônibus interestaduais não o deixam embarcar, sem pagar, ao menos, a metade da passagem. “Eu teria de desembolsar R$ 90. Mas eu não tenho esse dinheiro”, lamenta.

Nesta sexta (10), o almoço foi feijoada. A comida foi servida no imenso refeitório disponibilizado no acampamento. Ao dar a primeira garfada, “seu Aroldo”, como já é chamado pelos novos colegas, aprovou o tempero. “Está muito gostoso. Gosto da calabresa”, disse.

Enquanto Aroldo saboreava  o prato, o subsecretário de Administração Geral da Secretaria de Desenvolvimento Social, Francisco Soares, o Chicão, observava com satisfação o refeitório cheio. “Esse trabalho garante dignidade para essa gente”, comentou.

Veja mais no vídeo:

Documento de identidade

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio do Instituto de Identificação (II), começou a confeccionar carteiras de identidade para a população em situação de rua alojada no autódromo.

A ação da PCDF está sendo realizada em parceria com as secretarias de Segurança Pública (SSP/DF), de Desenvolvimento Social (SEDES), de Cidades e de Saúde (SES), e a Administração Regional do Plano Piloto. O objetivo é dar condições para que as pessoas em situação de vulnerabilidade possam exercer de forma plena a cidadania. O documento é necessário para cadastro em programas sociais do GDF.

Ação em hospitais

A PCDF está fazendo a identificação online de pacientes atendidos no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) – referência para o tratamento da Covid-19 – que dão entrada  sem documentação.  Nos demais hospitais, a instituição distribuiu kits para coletas de impressões digitais de pacientes e de cadáveres com identidade desconhecida. O material é enviado para pesquisa no banco de dados do II.

Com informações da Agência Brasília

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