Educação

“O mundo voltou”, diz secretária sobre aulas 100% presenciais no DF

Crianças em sala de aulaRafaela Felicciano/Metrópoles

Retorno ocorre nesta quarta-feira (3/11) nas escolas públicas do DF. Contrário à medida, Sinpro convocou paralisação de professores

 

As escolas públicas do Distrito Federal retomaram as aulas 100% presenciais nesta quarta-feira (3/11). A secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, acompanhou retorno no Jardim de Infância 4, no Gama. Segundo a educadora, a volta das aulas 100% presenciais é fundamental para os alunos recuperarem a rotina escolar. “Para nós, a volta das aulas 100% presenciais é um sonho”, pontuou.A rede pública conta com 543 mil estudantes e 57 mil profissionais de educação. Somente alunos com laudo médico poderão continuar no ensino remoto.

“O que os alunos estavam vivendo até agora não é a rotina. A rotina é frequentar de segunda à sexta-feira e folgar no final de semana. Então agora vamos fazer o diagnóstico com todos alunos em turma. Inclusive vamos levantar a questão da abstenção, da evasão escolar, do abandono. Nós temos que ir em busca desses estudantes. Não podemos deixar eles para trás”, disse Paranaguá.

Paralisação

Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF) convocou a categoria para uma paralisação nesta quarta-feira. Segundo a entidade, este ainda não seria o momento seguro para lotar salas de aula. Diante da convocação da entidade, a secretaria de Educação anunciou o corte do ponto dos educadores que aderirem ao movimento.

Em diversas escolas da rede, as dimensões das salas de aula não permitem o distanciamento preconizado pelos protocolos sanitários. “Quase a totalidade das nossas salas tem 48 metros quadrados. Isso significa que se você tiver 30 alunos, terá um 1,2 metrô entre eles”, comentou. Se as dimensões não forem suficientes, a direção de cada escola pode remanejar os estudantes para outros locais do colégio para assegurar a distância mínima, a exemplo da biblioteca.

Parte dos dos professores, defende a aplicação da terceira dose da vacina para os educadores. Porém, de acordo com a secretaria, o reforço na imunização é de competência da Secretaria de Saúde, que segue o Programa Nacional de Imunização (PNI) do governo federal e não há previsão de 3ª dose para profissionais da Educação.

Hélvia destaca que o número de casos na rede pública é baixo. Segundo o governo, foram registrados, neste ano, até o momento, 1.756 casos de Covid-19. Deste total, 790 foram estudantes, 453 professores e 513 demais profissionais de educação.

Maria Graciane Ribeiro da Silva, 28 anos, levou o filho Miguel Silva Meireles de 4 anos, para Jardim de Infância 4, na manhã desta quarta-feira. “Eu estou achando a volta das aulas ótima. Ele acostuma melhor. Ele estava chorando dia sim e dia não. Ele não estava se acostumando com a aula híbrida” contou.

Jardim

O Jardim de Infância 4, no Gama, tem aproximadamente 319 alunos, divididos em dois turnos, matutino e vespertino. Os estudantes têm entre 4 e 5 anos e cursam o primeiro e segundo período do ensino fundamental. A unidade tem 21 turmas.

Segundo a direção, seis crianças apresentaram laudos e poderão continuar com o ensino remoto. De acordo com a Educação, apenas alunos que comprovem comorbidades, por meio de documento com assinatura de algum médico, terão a possibilidade de não comparecer à unidade de ensino.

“É uma coisa que a gente torce. Porém em algumas salas que vai ficar inviável manter o protocolo de distanciamento. Por ser educação infantil, evitar o toque também será um desafio”, comentou a vice-diretora Poliana Peixoto.