Política

“O que há no Planalto não é um presidente, mas uma ameaça”, diz Josias de Souza

(Foto: Reprodução)

“No vácuo moral a que chegou o país, Bolsonaro parece imaginar que pode fazer ou dizer o que bem entender. Tudo, afinal, pode ser feito ou dito quando nada tem consequência”, avalia o jornalista Josias de Souza

‘No curto intervalo de 55 dias, a pandemia do coronavírus matou mais de dez mil pessoas no Brasil. Neste sábado, dia em que a marca foi ultrapassada, Bolsonaro fez piada com um “churrasco fake” e passeou de jet ski pelo Lago Paranoá. Parou ao lado de uma lancha. Em conversa com simpatizantes, disse: “É uma neurose -70% vai pegar (sic) o vírus. Não tem como. Loucura!”’, observa o jornalista.

“Para o presidente, pandemia é apenas um outro nome para “histeria”. O isolamento social, por “inútil”, só serve para arruinar a economia”, diz Josias de Souza. “O capitão dá de ombros para uma singela evidência médica: quanto menor for a adesão ao isolamento, maior será o número de cadáveres”, completa.

“Num cenário assim, fica mais difícil tratar a inconsciência conscientemente ostentada por Bolsonaro como coisa de um nietzschiano convicto afrontando os sentimentos do país em nome da preservação dos sinais vitais da economia. Melhor tratar o fenômeno como vilania assumida de alguém que está preocupado em salvar apenas o seu projeto de reeleição”, observa.

“No vácuo moral a que chegou o país, Bolsonaro parece imaginar que pode fazer ou dizer o que bem entender. Tudo, afinal, pode ser feito ou dito quando nada tem consequência”, avalia. “Contra esse pano de fundo fúnebre, o silêncio que cerca Bolsonaro soa como cumplicidade. O que há no Planalto não é um presidente, mas uma ameaça”, finaliza.

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