Pandemia Sociedade

Pais e filhos: Como lidar com o desafio de mais um ano de isolamento

Especialista dá dicas e destaca o que pode servir de aprendizado para ajudar em novas estratégias

Diante do agravamento da pandemia e o crescimento no número de casos e mortes por Covid-19 em muitos municípios, mesmo com o início da vacinação, muitas escolas que abriram ainda seguem restrições quanto à capacidade de alunos em sala de aula, e muitos pais ainda preferem que os filhos estudem de casa.

Ao mesmo tempo preocupa o fato das crianças seguirem a rotina de isolamento, sem o convívio com os amigos e familiares, a interrupção escolar, rotinas mais bagunçadas, o que contribuiu para o aumento da ansiedade e, em alguns casos, até depressão.

. “A pandemia prejudicou a rotina das famílias com a interrupção das atividades sociais e escolares e a incerteza sobre quando as coisas irão voltar ao normal ainda permanece, o que pode causar ansiedade.  É importante nesse momento ajudar a criança a lidar com esse novo momento para que vá construindo estratégias construtivas para superar novamente o desafio, conectar-se com a criança e depois ajudá-la a refletir como poderão agir. Listar aquilo que vocês já superaram juntos, pelo que passaram no ano passado e o que foi possível tirar como aprendizado para pensar em novas estratégias para lidar com este desafio”, orienta Adriana Drulla, mestre em Psicologia Positiva.

Outro desafio para as famílias, é conseguir entreter as crianças em casa. Neste sentido, Adriana completa com algumas dicas. “O exercício físico contribui para a melhora do humor e a capacidade de autocontrole. Então, é fundamental estabelecer uma rotina que inclua o número de horas adequadas para o sono, uma alimentação equilibrada e exercício físico, lembrando que a criança precisa de mais horas de descanso do que os adultos”.

Outra ideia é construir junto com a criança cantinhos de brincadeira em que estejam disponíveis jogos de tabuleiro, jogos de montar, massinha, materiais de pintura e livros, por exemplo. E, na medida do possível, incentivar o engajamento da criança com essas atividades sentando junto e brincando com ela.

E quanto ao uso excessivo de telas nesse período, é recomendável que os pais estabeleçam um limite, mesmo que ele seja mais flexível. “Também é importante que monitorem o conteúdo consumido já que as telas podem ser usadas para atividades criativas, por exemplo, em vez de serem usadas apenas para o consumo passivo de vídeos”.

O uso de telas, que já era excessivo, se tornou ainda mais prevalente durante o isolamento social. “Por um lado, as telas permitem que as pessoas trabalhem, e que as crianças aprendam e se comuniquem com seus entes queridos durante esse período de isolamento social. Mas por outro lado, o uso excessivo pode diminuir o engajamento da criança em atividades criativas como a leitura, brincadeiras de imaginação, além de interferirem na socialização da criança com a família e os irmãos, e impactarem negativamente na quantidade e qualidade do sono, por exemplo. Todos esses fatores têm reflexos comportamentais”.

E quando não for possível tomar atitude alguma, buscar ajuda profissional é também bastante importante quando os pais percebem que os recursos que têm utilizado para lidar com o sofrimento da criança não estão produzindo os efeitos desejados. “Pode ser que os pais precisem de orientação nesse sentido, ou ainda que essa criança esteja enfrentando um quadro de depressão ou ansiedade que precisa de atenção médica”, finaliza Adriana.

 

 

Caso tenha interesse em saber mais sobre esse e outros temas com a Adriana Drulla, estamos à disposição.

 

Sobre Adriana Drulla

Mestre em Psicologia Positiva, pela Universidade da Pennsylvania, é especialista em Compaixão e Autocompaixão. Estudou com Martin Seligman, psicólogo fundador da psicologia positiva, e outros pesquisadores referência neste campo nos Estados Unidos e no mundo.

Formada em Conscious Parenting por Shefali Tsabary, psicóloga referência em parentalidade e autora do método que une psicologia, parentalidade e espiritualidade, é também especialista em Mindfulness e Autocompaixão pela Universidade da Califórnia, em San Diego (EUA) e pela USP.

Perfil no Instagram: https://www.instagram.com/adrianadrulla/?hl=pt-br

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