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Pansexualidade: entenda a orientação sexual de Reynaldo Gianecchini

FOTO: REPRODUÇÃO/INSTAGRAM
 
 

Sexólogo tira dúvidas sobre orientação sexual que não faz distinção de gêneros e desmente crenças equivocadas sobre os pansexuais

THAMARA OLIVEIRA

Na última segunda-feira (31/8), o ator Reynaldo Gianecchini deu uma declaração em que afirmou ser pansexual. Alvo de boatos sobre uma possível homossexualidade desde o início de sua carreira, o ator afirmou em entrevista à agência EFE que se considera tudo ao mesmo tempo.

“As pessoas gostam de me rotular. Dizem que sou gay, mas não me considero assim. Me considero tudo ao mesmo tempo. Se é preciso ter uma palavra para mim, então é ‘pan’ (pansexual), porque ‘pan’ é ‘tudo’”, disse.

Outras celebridades já afirmaram ser pansexuais, como Bianca Andrade, a Boca Rosa, e a também ex-BBB Marcela Mc Gowan. Mas ainda que o assunto esteja em pauta, pouco ainda se sabe sobre o assunto e ainda existem muitas crenças equivocadas sobre a orientação.

De acordo com o terapeuta sexual André Almeida, pansexualidade é uma espécie de “cegueira” para gêneros. “Pansexuais sentem atração por pessoas, independente do gênero e levando em consideração todo o espectro de identidades possíveis – não binários, travestis, transexuais, e todos os outros”, explica.

Por isso, pansexualidade e bissexualidade não são a mesma coisa, ainda que sejam muito confundidos. “Quando falamos de bissexualidade, levamos em consideração apenas uma binariedade, o gênero homem e o gênero mulher. O pansexualismo vai além disso”, diz André.

Equívocos

Uma das coisas que confunde as pessoas é o conceito de gênero e de características físicas. Opansexual não vê se a pessoa é alta ou baixa, magra ou gorda, dentro ou fora de padrões.

A própria Boca Rosa, em uma das declarações à época em que se declarou pansexual, afirmou que começou a se perceber com esta orientação no momento em que seus relacionamentos com “boys gatos” passaram a não ir para frente, e ela passou a dar chance para “pessoas aleatórias”.

O psicólogo aponta que, quando o assunto é pansexualidade, trata-se de uma orientação sexual, mas isso não exclui o fato de que os pans elejam determinados atributos físicos ou psicológicos importantes para a atração. “Uma coisa é completamente diferente da outra”, argumenta.

Outro equívoco é pensar que o “tudo” da pansexualidade ultrapassa as barreiras humanas, como no caso de objetos e animais. Anote: pansexuais não vêem gênero, mas ficam na espécie humana. “Quando entramos nesse aspecto, podemos falar de fetiches ou até mesmo de parafilias se envolvermos outros seres vivos que não podem dar consentimento. Mas isso não tem absolutamente nada a ver com pansexualidade”, garante.

Preconceito

Para finalizar, André lembra que pensamentos (infelizmente) recorrentes como “é coisa de gente confusa”, “gosta de sacanagem” ou mesmo “têm mais chances de trair por gostarem de mais coisas” são preconceituosos e devem ser evitados.

“É preciso tomar cuidado para não medir o comportamento sexual do outro pela nossa régua de moralidade e normalidade. Saúde e direitos sexuais, segundo a Organização Mundial da Saúde, é exercer sua sexualidade da forma que você achar melhor, desde que te faça bem e não faça mal para ninguém”, conclui.

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