Economia

“Posto Ipiranga” de Bolsonaro, Guedes vê seu liberalismo perder espaço

HUGO BARRETO/METRÓPOLES
 
 

Gestão Bolsonaro passa por metamorfose e vai abrindo mão de mais um dos pilares de campanha, mas liberais ainda buscam cacos para juntar

 

Mudanças profundas estão acontecendo no governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Como ocorreu com a agenda anticorrupção do ex-ministro Sergio Moro e a guerra cultural dos seguidores de Olavo de Carvalho, o liberalismo capitaneado por Paulo Guedes vai rapidamente perdendo espaço numa gestão que, apesar de manter o discurso da austeridade, já não se empolga com reformas e privatizações.

Na avaliação do economista Marcio Pochmann, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a guinada de Bolsonaro rumo a uma agenda mais desenvolvimentista estava sendo ensaiada desde antes da pandemia de coronavírus, o que agora justifica um aumento de gastos públicos.

“Bolsonaro viu que as promessas de Guedes de crescimento não foram cumpridas, que a economia não reagiu, e foi convencido de que é impossível manter um governo sem crescimento. O descontentamento e o poder da ala militar aumentaram”, afirma o pesquisador.

Desde o início de 2020, então, o governo buscou sustentação no Centrão, mudou sua comunicação para fugir das polêmicas e buscou uma nova base social com a valorização do auxílio emergencial para os afetados pelo coronavírus.

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