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Primeiro dia de Enem tem aglomerações nas portas dos locais da prova

Neste primeiro dia, as especialidades da prova realizada eram de conhecimentos das áreas de humanas, como português, história, geografia, atualidades e redação, que teve como tema “O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira”, entre outras

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Aglomerações na entrada e saída marcaram o primeiro dia de avaliações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Centro Universitário UDF neste domingo (17). No local, quase 3 mil candidatos realizaram a prova e não houve aferição de temperatura para quem entrava ou circulava na faculdade. No espaço da instituição de ensino, há um estacionamento para onde os participantes poderiam se espalhar e respeitar o mínimo distanciamento social de dois metros entre si, mas poucos o fizeram. A maioria se concentrou na entrada do local.

Pela grande quantidade de candidatos, muitos pais e responsáveis também se aglomeraram para buscá-los do outro lado da pista. O trânsito na avenida da 704 Sul se intensificou desde às 18h e se estendeu até 19h30, faixa de horário em que a maioria dos participantes do exame saiu. A aplicação da prova teve início às 13h30 e terminou às 19h.

Neste primeiro dia, as especialidades da prova realizada eram de conhecimentos das áreas de humanas, como português, história, geografia, atualidades e redação, que teve como tema “O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira”, entre outras. Ao todo, no Distrito Federal, foram mais de 113 mil candidatos buscando vagas de nível superior por meio do exame.

No Centro Universitário UDF, Gabriel Alves Botelho, 19 anos, fez o Enem pela segunda vez neste domingo (17) e, apesar de não ter a temperatura aferida, se sentiu seguro dentro da sala onde fez o exame. “O distanciamento foi bem tranquilo e todos estavam distantes. Lá dentro foi álcool na mão o tempo todo e máscara no rosto”, afirmou. O problema mesmo estava na entrada, com as aglomerações.

“Achei desorganizado. Como em Brasília muita gente se conhece, todos começaram a conversar com amigos que encontravam e muitos tiraram as máscaras”, comentou. Outro ponto negativo que considerou estranho para um evento como este foi justamente a falta de aferição de temperatura na entrada. “Não mediram minha temperatura em nenhum momento. Nem no banheiro – foi só o detector de metais.”

“Fiquei preocupado, porque os casos estão só aumentando em Brasília. Se esse tipo de coisa acontece nessa faculdade e nas outras, os casos podem subir. Preferia que fosse adiado, porque meus pais são acima de 60 anos, mas adiar também seria mais um problema”, complementou. Ele notou que havia álcool em gel disponível e só tirou a máscara quando estritamente necessário, segundo ele, para comer ou beber água.

         

Nas palavras de Gabriel, a prova estava “padrão Enem”: “nem fácil, nem nenhum bicho de 7 cabeças”. Ele começou a prova pela redação, com temática neutra no que diz respeito à pandemia da covid-19. “Não relacionei o novo coronavírus, mas dava para relacionar sim. Só não o fiz por falta de espaço”, disse. Ele quer cursar Engenharia Elétrica e está seguro sobre o resultado proveniente da prova realizada.

Já na avaliação de Bruna Lourrayne, 17, no entanto, a sala não estava preparada para receber os candidatos. Segundo ela, não havia álcool em gel disponível e o distanciamento nas mesas não foi respeitado. “Acho que tinha umas 30 pessoas na sala e claramente não era a metade da lotação, como foi dito antes que deveria ter”, descreveu. De acordo com ela, o mais sensato deveria ser o adiamento da prova. “Nota zero para a organização.”

A prova, de acordo com ela, foi feita com cuidado e atenção. Segundo Bruna, o modelo adotado neste ano seguiu a mesma lógica dos anos anteriores, separados com questões fáceis, médias e difíceis. “Gostei do tema da redação, acho que deu pra desenvolver bem”, disse. Ela é estudante do 3° ano do Ensino Médio e está em dúvida entre Jornalismo e Relações Internacionais.

A treinanda aluna do 2° ano do Ensino Médio do colégio Sigma, Gabriela Bernardo Schimidt, 16, fez a prova pela primeira vez e acredita que se saiu bem. Ela quer cursar Direito na Universidade de Brasília (UnB). “Achei que superou as minhas expectativas quanto à resistência que dizem ser necessária. Acho que fiz uma boa prova apesar de não ter todo o conhecimento exigido”, disse.

“Senti que estavam muito preparados [para receber os candidatos em meio à pandemia da covid-19]. A monitora da minha sala oferecia álcool em gel a todo momento, com muita atenção”, comentou. Quanto à aglomeração na entrada da UDF, ela afirma que passou rápido para evitar a multidão.

O único problema que quase a impediu de realizar a prova foi a confusão quanto ao bloco que deveria ir do centro universitário. “Meu bloco era na UDF da 704, mas eu fui pro bloco na 703. Deu certo porque cheguei mais cedo, mas precisei correr pra não perder a entrada”, afirmou.