Cidadania CPI da Pandemia Política

Sangue de barata

 

Ataíde Santos

 

O teólogo Leonardo Boff sabiamente, em sua conta no twitter pergunta: “O direito individual ao silêncio não pode prevalecer diante dos direitos coletivos à vida e à saúde. É o senso comum. Não sei onde o Ministro do STF, Barroso, tinha a cabeça quando concedeu ao milionário Wizard o direito ao silêncio diante da CPI. Só por ser milionário? É justo isso?”

Foi uma situação, uma exposição das mais ridículas já vistas em uma CPI, se assemelhou ao depoimento do ex-deputado da Bahia e já falecido João Alves, que para justificar sua movimentação financeira 300 vezes maior que a compatível com sua renda de parlamentar, disse que tinha ganhado na loteria inúmeras vezes, frase que provocou risos generalizados dos presentes na sessão da CPI dos Anões do Orçamento em 1993.

Se naquela reunião o riso prevaleceu, na de ontem, na CPI da Pandemia, o “não depoimento”  do milionário e sangue de barata Carlos Wizard ao repetir a cada pergunta o mantra “reservo-me o direito de ficar  calado” provocava incredulidade e indignação de quem participava ou  assistia o tal  “não depoimento”.

Nem o Eduardo Cunha ouviu tantas palavras de menosprezo e provocações e ficou “insensível” a tais argumentos. Era de embrulhar o estômago de qualquer um como diz o jornalista José Fernandes em seu portal.

A todos nós brasileiros resta a indignação ao ver cena tão grotesca “respaldada” pelo Supremo Tribunal Federal – STF, mais precisamente do ministro Luiz Roberto Barroso.

Aqui faço um recorte da fala de Leonardo Boff  que repliquei acima: “O direito individual ao silêncio não pode prevalecer diante dos direitos coletivos à vida e à saúde. É o senso comum”.

Quanto tempo levaremos para negar com provas a frase supostamente atribuída  ao presidente francês Charles de Gaulle “Brasíl não é um país sério”? Teria sido uma crítica ou uma constatação?

Que já estamos à deriva, é notório. Que o comandante da embarcação quer jogar passageiros  ao mar, também é sabido. Agora trocar só o comandante não vai resolver, toda tripulação está contaminada  com a ideia que todos os passageiros precisam ser mortos para que eles se salvem. É necessário um motim e a formação de uma nova tripulação para que a nau (dos desesperados) possa enfim chegar a um porto seguro. Ou isso ou afundamos todos.

Frase do dia:  O fundo do poço do Brasil tem subsolo.”