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Testes rápidos de Covid-19 doados pela China ao DF serão destruídos por armazenamento indevido

Secretaria de Saúde do Distrito Federal aplica testes rápidos da Covid-19 no Hospital Regional de Taguatinga — Foto: Breno Esaki/Agência Saúde

Por Gabriel Luiz, TV Globo

Uma doação de 22 kg de máscaras tipo N95, 58 kg de testes rápidos para Covid-19 e 44,5 kg de aparelhos de laboratório, feita pela China ao Distrito Federal, em razão da pandemia de Covid-19, está parada, há um ano e dois meses, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Destes itens, os 58 quilos de testes rápidos deverão ser destruídos, pois, segundo a Anvisa não foram armazenados na temperatura correta depois que chegaram ao Brasil.

Em 19 de março de 2020, o governador Ibaneis Rocha (MDB) mandou um documento à Embaixada da China, pedindo “assistência de qualquer natureza, especialmente orientações para o combate à doença, doação de suprimentos e equipamentos médicos, além de indicações de empresas que possam colaborar na contenção da pandemia”. Na época, uma empresa chinesa fez a doação para a Secretaria de Saúde do DF.

A doação chegou em maio do ano passado e o GDF não a retirou. Segundo a Receita Federal, a carga foi considerada abandonada (saiba mais abaixo).

O G1 questionou o governo do Distrito Federal sobre as doações e a não retirada do material. No entanto, até a última atualização desta desta reportagem não obteve resposta.

Pedido do governador Ibaneis Rocha à Embaixada da China — Foto: TV Globo/Reprodução

Pedido do governador Ibaneis Rocha à Embaixada da China — Foto: TV Globo/Reprodução

Carga abandonada

 

TV Globo revelou o caso em março deste ano. À época, a Receita Federal disse que fez vários contatos com a Secretaria de Saúde do DF, por telefone, e ainda uma notificação por escrito. Mesmo assim, segundo a Receita, o GDF não buscou a doação.

Na ocasião, o secretário de Saúde do DF informou que a mercadoria tinha ficado presa na alfandega. “O destino final que seria aqui [Brasília] não aconteceu. Ele ficou preso na alfandega em Guarulhos, onde há necessidade de desembaraço pra que a gente possa retirar esse material de lá. No entanto, esse entrave burocrático de desembaraço tem trazido algumas complicações para nós e aí estamos com a nossa equipe, contratando empresas despachantes para que a gente possa fazer a retirada desse material”, disse Osnei Okumoto.

O secretário da Casa Civil também justificou o caso, dizendo que o problema não era culpa do GDF. “Em nenhum momento houve inércia do governo do DF, da Secretaria de Saúde. Há interesse evidente em receber a doação. Mas o que houve foi uma questão burocrática que diz respeito ao desembaraço aduaneiro dessas mercadorias feita pela Receita Federal”, disse Gustavo Rocha há quase cinco meses.

Agora, a Receita Federal diz que não há mais chances da doação vir para o DF. Por meio da Lei de Acesso a Informação (LAI), a Receita confirmou à TV Globo que os 58 quilos de testes doados pela China deverão ser destruídos.

De acordo com a Receita Federal, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) inspecionou os kits de testes de Covid, após o abandono, e o material necessitava de armazenagem em baixa temperatura depois da chegada ao Brasil.

Conforme a Receita, os testes chegaram da China de forma correta, com um gelo que garante a temperatura ideal por alguns dias. Mas a carga não foi retirada a tempo.

“Após o abandono, contatou-se que o material já estava sem condições de consumo pelo armazenamento incorreto”, diz a Receita Federal.

 

GDF abandona doação da China em Guarulhos, e 58 kg de testes contra Covid deverão ser destruídos
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A Anvisa mandou interditar os testes de Covid, que serão destruídos nos próximos dias. Já as máscaras e os equipamentos de laboratório, que estão dentro da validade de cinco anos, serão doados, ou incorporados ao patrimônio Federal.