Política Saúde

Trocando seis por meia dúzia

A troca de ministros da saúde em nada altera a forma como o governo trata a crise sanitária instalada no país.

 

Como temos visto, lido e ouvido nos últimos meses através da mídia em geral, o covid-19 avança ferozmente sobre a vida das pessoas no mundo inteiro. Mais notadamente no Brasil. De cada cem mortes no planeta provocada pelo coronavírus, 20 delas se dão em terras tupiniquins. É alarmante! Mais de 270 mil vidas perdidas. Quanto vale cada vida que se apagou sob o vento da indiferença? Para filhos, pais, irmãos…  Tudo. Para quem por dever de ofício deveria evita-las… Nada! “O choro é mimimi, mortes acontecem, chorar pra quê? A economia não pode parar”. Essas mortes nada significam diante de uma reeleição. Morrer não é nada, loja fechada sim, esta põe em risco o maior objetivo do presidente brasileiro.

Passeando por cima de mais de um quarto de milhão de cadáveres o ainda ministro da saúde, general de competência duvidosa, ou de caráter submisso?, se despede do cargo dando lugar a um outro, desta vez, médico,  que se propõe a negligenciar a vida em troca de votos. “Vidas eu posso perder, votos não” pensará a autoridade que nomeia alguém que escolhido com muito esmero, lhe cumprirá os desmandos sem qualquer questionamento.

Lockdown não é necessário nesse momento disse o novo ministro, médico que deixa de seguir os protocolos científicos para atender os caprichos políticos negacionistas do presidente considerado pela comunidade internacional “uma ameaça” a saúde pública global. Se o antecessor da pasta da saúde, treinado a mandar aos “berros” da caserna,  disse publicamente não ter qualquer autoridade na pasta, leia-se aqui “ele manda e eu obedeço”, foi defenestrado do cargo da forma mais humilhante, o que se dará com um médico, que dentro de seu ambiente é autoridade, mas não está habituado a hierarquia dos quarteis? Se acostumará ao beija-pé exigido pelo presidente aos seus subordinados? O tempo dirá… Mas… e o povo? Ah esses são apenas números sempre favoráveis ao titular do planalto. Tanto no relatório de mortes diárias, (…mas a economia não pode parar) quanto nos boletins eleitorais. Sabemos, enfim, que seja quem for o novo ministro, esse sim, será um mero detalhe, pois quem efetivamente faz e desfaz é sua excelência o Presidente.

Resta então aos brasileiros assistir o BBB, aglomerar em show de cantor recém-saído de uma UTI onde estava vitimado pelo coronavírus, manter lojas abertas ou com a porta apenas abaixada, aglomerar em chácaras para a prática de swings e fazer carreata exigindo o dever constitucional de fechar o STF.

Mas enquanto todo isso “rola” no circo Brasil, as instituições funcionam normalmente e quem de fato está sendo a instituição. Olha , aplaude, cala, finge que não vê, até que lhe é pisado o calo, aí sim, cadeia, reunião de emergência e piriri-poromrom… E o povo? Parafraseio aqui a mais simpática e amada ministra que o Brasil já teve: Zélia Cardoso “O povo é mero detalhe”.