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“Vamos para qualquer parte de Brasil”, afirma cubano sobre retorno ao Mais Médicos

Quem diz é Yubeidy Mora Venero, recontratado pelo programa Mais Médicos para ajudar o Brasil no combate ao coronavírus. Ele também lembra que cubanos que vieram ao País sempre atuaram na atenção primária, o que ajudará na luta contra a doença

“Somos 2.000 cubanos, vamos para qualquer parte de Brasil. Indiscutivelmente vamos ajudar a evitar a doença e a controlar os focos”, afirma Yubeidy Mora Venero, recontratado pelo programa Mais Médicos para ajudar o Brasil no combate ao coronavírus.

“Mais do que contente com a chance, estamos necessitados, desempregados. O que ganhou hoje só dá para pagar a comida e a casa, além dos meus estudos para o Revalida”, diz ele em entrevista ao UOL.

O médico também lembra que cubanos que vieram para o Brasil sempre atuaram na atenção primária, o que ajudará na luta contra o coronavírus. “Tenho 12 anos trabalhando nesse espaço que se fundamenta na epidemiologia, na prevenção — que é o principal tratamento que temos para muitas doenças, principalmente para o covid-19”, afirma.

Vale ressaltar que a relação de Bolsonaro com Cuba não é das melhores. Em novembro de 2018, o ministério da Saúde da ilha caribenha anunciou que deixaria o Mais Médicos em protesto contra o ocupante do Planalto.

“O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, com referências diretas, depreciativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, declarou e reiterou que modificará os termos e condições do Programa Mais Médicos, com desrespeito à Organização Pan-Americana da Saúde e ao acordo desta com Cuba, ao questionar a preparação de nossos médicos e condicionar sua permanência no programa à revalidação do título e como única forma de se contratar individualmente”, dizia o texto do Ministério da Saúde cubano.

Depois de eleito, Bolsonaro afirmou que sempre foi contra o programa Mais Médicos. “Primeiro por uma questão humanitária, 70% [do dinheiro] ficam com o governo deles, e não temos a menor comprovação de que eles realmente sabem o que estão fazendo. É trabalho escravo e eu não vou convidar pra ficar”, continuou. “É trabalho escravo e eu não vou convidar para ficar”, afirmou ele depois, em coletiva no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

Naquele ano, Bolsonaro recuou e disse que manteria o programa.

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