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Vinte dias após comércio abrir, mortes por Covid-19 aumentam 84% no DF

RAFAELA FELICCIANO/METRÓPOLES

A quantidade de óbitos na 24ª semana epidemiológica disparou em relação à anterior, chegando a 85 vítimas

 

Na contramão do Brasil, que terminou pela primeira vez uma semana epidemiológica com menos óbitos que a anterior, o Distrito Federal viu a estatística aumentar segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

Os números analisados pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, mostram que a capital do país, entre os dias 31 de maio e 6 de junho (semana 23), contabilizou 46 novas mortes. Nos sete dias posteriores, a doença fez 85 vítimas, um aumento de 84,7%.

Antes disso, o DF tinha presenciado uma pequena queda. Da semana 22 – do dia 24 ao dia 30 de maio – para a 23, houve redução de 31,3% das mortes, saindo de 67 para 46.

Para Jonas Lotufo Brant de Carvalho, professor do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília, o aumento era previsto e tende a piorar. “O impacto das mortes não é visto de maneira imediata. Temos a incubação, a manifestação da doença e todo um caminho até a possível morte. Com as medidas de flexibilização, é provável que ainda teremos um aumento nas próximas semanas”, explicou.

O vice-presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, Alexandre Cunha, vai além. Segundo ele, dias antes da abertura do comércio, o vírus já estava circulando com mais intensidade. “A medida impulsionou o processo. Como os óbitos costumam acompanhar a curva de casos, com um delay de duas semanas, mais ou menos, a situação já piorou e tende a acelerar”, disse. “A gente torce para que o sistema de saúde suporte. Talvez seja necessário retroagir nessa medida.”

Em nota, a Secretaria de Saúde do DF afirmou que monitora o avanço da doença e que o aumento “vem seguindo a curva estimada no DF, cujo pico está previsto para julho”.

Óbitos por estado

O aumento de óbitos na 24ª semana epidemiológica em relação à anterior aconteceu, também, em outras 14 unidades da Federação. Em comparação, o DF é o quarto estado com o maior crescimento, perdendo apenas para Mato Grosso do Sul (250%), Mato Grosso (146,1%) e Roraima (100%).

Ocupação de leitos de UTI

Na manhã dessa terça-feira (16/06), a ocupação de leitos de unidade de tratamento intensivo (UTI) reservados para pacientes com o novo coronavírus chegou a 70,6% no Distrito Federal. O número considera 372 lugares em hospitais públicos e 224 em privados, segundo dados que a Secretaria de Saúde divulgou.

No caso da rede pública, 241 unidades estão com alguém em estado grave, ou seja, 64,78%. Nos particulares, são 180 camas específicas para infectados pela Covid-19 ocupadas: 80,8%.

Há 11 dias, em 5 de junho, a ocupação total era de 59% e cresceu para 65,4% em 8 de junho.